Os problemas causados por relacionamentos abusivos
Enviada em 03/09/2025
No filme “Dormindo com o inimigo”, a protagonista Laura vive um casamento aparentemente perfeito, mas que esconde um ciclo marcado por agressões físicas e psicológicas. Fora das telas, essa realidade é comum para milhares de mulheres brasileiras que, além da dor emocional, enfrentam consequências severas à saúde física e mental. Diante disso trazer o tema para o contexto social evidencia a urgência de abordá-lo como questão de saúde pública.
Em primeiro lugar, os relacionamentos abusivos não se limitam só a agressões físicas visíveis, mas envolvem também a manipulação emocional, o controle excessivo e a destruição da autoestima da vítima. Segundo pesquisas dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2024, mais de 300 mil mulheres registraram boletins de ocorrência por violência doméstica, sendo a maioria relacionada a abusos contínuos e não necessariamente físicos. Essas vivências geram impactos profundos na saúde mental.
Além disso, os efeitos de um relacionamento abusivo podem desencadear consequências ainda mais graves. Segundo dados da ONU Mulheres (Organização das Nações Unidas que trabalha para promover o direito das mulheres), revela que 60% das figuras femininas foram mortas por seus parceiros. Em última instância, o feminicídio representa a manifestação mais extrema dessa violência, embora existam legislações importantes voltadas à proteção da mulher, como a Lei Maria da Penha, sua efetividade ainda encontra barreiras significativas. A dificuldade de acesso à informação, o medo de retaliações, a dependência financeira e a revitimização durante o processo judicial são fatores que contribuem para que muitas mulheres permaneçam em situações de risco.
Dessa forma, torna-se evidente a necessidade de não apenas fortalecer a aplicação das leis existentes, mas também de investir em políticas públicas. Para enfrentar essa realidade, é fundamental que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação e instituições de direitos humanos, promova campanhas de conscientização sobre os sinais do abuso e seus impactos. Somente com ações concretas será possível romper o ciclo da violência e oferecer às vítimas o direito de viver com segurança e dignidade.