Os supermercados como palco de horror e racismo
Enviada em 11/05/2023
Deve-se ter em mente que o Brasil é país extremamente diversificado em sua composição étinica. Assim sendo, os supermercados concentram essa diversidade, tendo em vista que é um comércio utilizado por todos. Sob esse prisma, quando a sociedade tem preconceitos, esses locais são terrenos férteis para expressão da intolerância. Por fim, o horror gerado pelo racismo nos supermercados é reflexo da educação e do enraizamento histórico.
Em primeira análise, de acordo Nelson Mandela, ex presidente da África do Sul que lutou contra a segregação racial, ninguém nasce odiando o próximo, as pessoas aprendem a odiar. Percebe-se, assim, que o racismo persiste, porque ele é ensinado e cultivado no ambiente familiar e escolar, meios de grande influência na formação do caráter dos indivíduos. Por conseguinte, os supermercados, aglomerados de grande diversidade étinica, refletem a péssima educação nos casos de ódio contra negros. Logo, somente a boa formação proporcionará o respeito ao próximo.
Outrossim, a escravidão no Brasil deixou como legado a segregação socioespacial. Nesse viés, os negros não vivem o apartheid da África do Sul (regime de segregação racial), mas são vistos com maus olhos pelos seguranças quando adentram um estabelecimento público para consumir ou comprar. Nessa perspectiva, a sociedade brasileira não está acostumada a ver negros com poder de compra, uma vez que a escravidão não deixou apenas intolerância e segregação socioespacial, mas também desigualdade econômica. Portanto, quando negros são impedidos de entrar no supermercado, agredidos ou acusados de roubá-los é porque há uma raiz histórica que perpetua esse horror.
Destarte, para mitigar o impasse o Poder Legislativo, mais epecificamente a Câmara dos Deputados, deve sancionar uma lei que obriga os supermercados a fiscalizar casos de racismo. Isso pode ser efetivado por intermédio da união dos esforços dos políticos engajados na causa. Dessa maneira, tal ação terá como consequência a preservação da dignidade humana, e todos terão o direito de entrar em um supermercado sem a preocupação de sofrer injúrias pela cor da pele.