Os supermercados como palco de horror e racismo

Enviada em 16/05/2023

A teórica política alemã, Hanna Arendt, utiliza a expressão “Banalidade do Mal” para traduzir o formato trivial da instalação de problemáticas em sociedades contemporâneas. Essa perspectiva, simboliza o comportamento da sociedade diante dos supermercados como palco de horror e racismo, já que é justamente a habitualidade frente a questão que agrava essa problemática. Assim, tem-se a culturalização do comportamento como origem dessa mazela. Desse modo, aprofundam esse quadro, o racismo institucional e a passividade social.

Torna-se evidente, dessa forma, que o racismo institucional cristaliza os estigmas associados aos supermercados como palco de horror e racismo. Isso acontece, pois, houve a construção cultural da visão racista de que pessoas que cometem crime tem cor de pele e classe social definida. Consequentemente, há nas instituições abordagens vexatória e discriminatórias contra essa classe da população que, por ser negra ou estar com roupas mais simples, são vistas como suspeitos a praticaram algum delito, principalmente em redes de supermercados.

Além disso, é válido ressaltar que a banalização do problema potencializa essa conjuntura. Esse fenômeno ocorre porque mesmo com diversos casos de horrores e discriminação social cometida por empresas conhecidas do ramo, as pessoas continuam passivas em relação a essa realidade, não exigindo mudanças e seguindo frequentando o local, mesmo quando injustiças continuem a aparecer. Exemplo disso, foi o caso em 2020, que um corpo de um homem morto foi escondido dentro do Carrefour, para esse continuar em funcionamento.

É evidente, portanto, que é grande o desafio para conter os horrores e o racismo dentro das redes de supermercados. Por isso, o Governo Federal, em conjunto com o Ministério do Trabalho devem criar o “Plano de Combate as Injustiças nos Hipermercados”, que, por meio de lei e fiscalização, garanta um selo de aprovação, que desconstrua os comportamentos racistas e vexatórios contra clientes em todas as redes, incumbindo-as a tratar todos com respeito e igualdade, mesmo quando estes ferem suspeitos de algum delito. Ademais, no mesmo plano, seja lançado uma campanha informacional, que amplie o senso crítico da sociedade, para que evitem a passividade e apenas comprem em locais que possuam o selo.