Os supermercados como palco de horror e racismo

Enviada em 29/05/2023

“O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim”. Esse lema positivista, formulado pelo sociólogo Auguste Comte, inspirou a frase “Ordem e Progresso” exposta na bandeira nacional. Conquanto, o cenário brasileiro representa uma antítese a essa máxima, visto que o racismo presente nos supermercados, grave revés a ser enfrentado hodiernamente, resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Desse modo, não só a negligência do Estado, como também a falta de empatia, reflexo do individualismo, solidificam tal estigma.

A princípio, é mister pontuar que o descaso estatal se faz importante na concretização do óbice apresentado. De acordo com a Constituição Federal de 1988, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. No entanto, o governo não atua em defesa de tal prerrogativa, haja vista a violência tanto física quanto mental direcionada a cidadãos negros em supermercados, mas quase inexistente quando se trata de indivíduos brancos. Dessarte, é notório que a igualdade prevista constitucionalmente não efetiva-se na realidade do país, uma vez que o Estado se mantém negligente ao seu papel de assegurar os direitos da população.

Ademais, a problemática se fundamenta no individualismo e na falta de empatia. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Como consequência, a sociedade brasileira insiste em ignorar a humilhação sofrida por pessoas negras em lojas de diversas cidades, tendo em vista que seu comportamento é focado em interesses e desejos pessoais. Sendo assim, tal tendência comportamental apática funciona como um empecilho na mitigação do racismo no Brasil.

Portanto, cabe ao governo instituir um comitê formado por representantes de cada área: Ministério da Saúde, Mídias, Direitos Humanos. Essa ação se dará por meio de maior direcionamento de verbas para rondas policiais e para campanhas educativas acerca das condutas racistas existentes nos supermercados. isso será feito com o intuito de erradicar a violência contra pessoas negras do país e de conduzir a nação rumo à ordem e ao progresso.