Os supermercados como palco de horror e racismo
Enviada em 20/05/2023
Na novela “Amor de mãe”, transmitida pela Rede Globo de televisões, o personagem Tiago, criança negra adotada por um casal de classe média alta, em um dos episódios, foi conduzido até a saída de um shopping após seguranças deduzirem que a criança estava pedindo esmolas. A situação ilustrou, claramente, o racismo, que é frequente fora da ficção com inúmeros casos narrados em supermercados. Assim, é lícito analisar como o descaso dado ao tema contribui para o desrespeito constitucional.
Deve-se pontuar, de início, que a sociedade brasileira sofre com o racismo estrutural e que esse tema não é debatido publicamente. Sob esse viés, segundo a antropóloga Lilia Schwarcz, há a prática de uma política de eufemismo no país, na qual determinados problemas tendem a ser suavizados por não receberem a atenção necessária. Diante disso, é claro que a discriminação racial permanece presente, pois com a falta de debate a população não é educada contra tais pensamentos e atitudes.
Em consequência, fere-se, constantemente, a Constituição Brasileira de 1988. Isso ocorre, pois, a Carta Magna prevê no, no artigo 5, que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, e que racismo é crime inafiançável. Contudo, na realidade as pessoas negras continuam sendo tratadas com diferença e desrespeito. Nessa perspectiva, vive-se a situação que Gilberto Dimenstein descreveu como “Cidadania de papel”, na qual os direitos só existem por escrito, mas não na prática. Diante disso, é fundamental que o Estado assuma o papel de garantidor do bem-estar social.
Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias para conscientizar a população e desconstruir o racismo estrutural. Perante o exposto, é dever do Governo, na condição de garantidor dos direitos da população, educar os cidadãos sobre o respeito e a igualdade das pessoas, por meio da colocação de matéria obrigatória na matriz curricular a partir dos primeiros anos escolares. Espera-se, com essa providência, que a injúria racial seja tema apenas da ficção.