Os supermercados como palco de horror e racismo
Enviada em 11/07/2023
O “Cidadão de papel” do autor brasileiro Gilberto Dimenstein faz uma crítica à grande extensão da constituição brasileira com o que é garantido na prática. Nessa lógica, os valores de igualdade e respeito mútuo estão somente no papel , haja vista que, o preconceito, violência e racismo ainda estão presentes no cotidiano da população em diversos lugares, especialmente no sistema mercantil. Dessa maneira, a problemática vai de encontro a dois fatores: a falta de empatia entre as pessoas e a omissão estatal.
Diante desse cenário, é inadimissível que em pleno século XXI a cor de pele seja considerada um impasse para o avanço das relações sociais. Nessa lógica, o pedagogo brasileiro Gilberto Freyre criou a tese de “Educação libertadora”, sendo a única capaz de retirar o homem da “Gaiola da ignorância”. Perante a isso, a falta de empatia e o desrespeito a pessoas devido à condição negra são fatos absurdos e sem fundamentos para perpetuação, haja vista que, a cor de pele não é requisito para diferenciação do ser humano. Desse modo, o " Cidadão de papel" infelizmente comprova que os valores da constituição é somente teoria e estar distante da prática.
Outrossim, cabe destacar que a omissão estatal também se configura como um impasse proporcionador da violência em supermercados. Nessa perspectiva, o filósofo inglês John Locke criou a ideia de “Contrato social” em que o Estado -administrador público- tem o dever de garantir o bem estar e os direitos fundamentais à população. Entretanto, a perpetuação do racismo em ambientes cotidianos, especialmente em sistemas mercantis, comprova a ineficiência estatal e o raso papel desempenhado por este órgão, de modo a alimentar o medo e a angústia de indivíduos que sofrem do preconceito e do risco de ser violentado devido a cor de pele. Dessa forma, a “Gaiola da ignorância” se torna realidade.
Em suma, discutir acerca dos supermercados como palco de horror e racismo é fundamental. Logo, o Estado- órgão de maior hierarquia- deve incentivar o respeito mútuo e difundir os valores da constituição, por meio de políticas públicas, com o objetivo de extinguir a prática do racismo e criar uma sociedade justa. Com isso, o “Contrato social” estaria completo por ambas as partes.