Os supermercados como palco de horror e racismo

Enviada em 01/08/2023

Idealizado pelo filósofo Raimundo Teixeira, em 1889, com base nos princípios do positivismo, o lema “Ordem e Progresso” - escrito na bandeira brasileira - expõe um dos objetivos da nação: o avanço da sociedade mediante a defesa da ordem. efetivação desse objetivo, porém, mostra-se distante, uma vez que o racismo configura um grave desafio a ser enfrentado pela população.

Nessa lógica, é preciso analisar não só as raizes do racismo estrutural como também a predominância dele. Diante de tal conjuntura, é preciso, antes de tudo, rememorar o Contrato Social, conceito trabalhado pelo filósofo inglês John Locke, segundo o qual os indivíduos cedem a sua confiança ao Estado, que, por outro lado, deve garantir os direitos básicos a eles. No entanto, no país, tal contrato é diariamente quebrado na medida em que as autoridades não ofertam propostas significativas que, potencialmente, objetivem a segurança das pessoas que sofrem esse tipo de preconceito. Sob esse viés, embora a Constituição Federal garanta a lei da igualdade racial, o segmento estatal inoperante não cumpre seu papel, viabilizando cenários, como, um supermercado, palco de crime étnico racial.

Além disso, a displicência da mídia também alimenta a problemática. Nesse viés, consoante o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições deixaram de exercer a sua função, operando como “zumbis". À luz da lógica baumaniana, ao fechar os olhos para esse tipo de crime, expõe a face zumbificada do Governo,

dado que, embora seja responsável pelo direito de cada cidadão, essa instância se omite de sua responsabilidade social.

Dessa forma, é preciso que essa instituição adote um novo posicionamento, para que, de nenhuma forma, ocorra esse tipo de crime. Observa-se, portanto, a necessidade de combater o racismo. Desse modo, o Estado - enquanto garantidor de direitos fundamentais - deve, por meio de mídias digitais, criar programas com representantes das principais pautas, a fim de dar visibilidade e voz. Além disso, o poder judiciário precisa prestar todo o suporte para pessoas que venham a ser vitimas desses crimes, com o intuito de protegê-las. Com essas medidas, dessarte, será possível converter o objetivo elencado na bandeira nacional em realidade.