Os supermercados como palco de horror e racismo

Enviada em 25/09/2023

“Quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada”. A frase dita pela filósofa alemã Hannah Arendt traz a forte reflexão sobre como a frequência de atos preconceituosos é ignorada pela sociedade, uma vez que torna-se comum. No Brasil, a problemática relacionada à violência racial nos supermercados alude a frase da pensadora. Este fator advém tanto da influência da colonização do país, quanto da fragilidade das leis que protegem os direitos igualitários sem distinção de cor e raça.

Em primeiro plano, é importante dizer que o estigma carregado pela pátria tupiniquim está diretamente relacionado com o início do período colonial, tendo em vista que a rejeição de pessoas que possuem pele negra começou a ser normalizada e incentivada com a chegada de Portugal às terras do território. Esta dinâmica segregadora ainda faz parte do cenário brasileiro, mostrando que apesar de se manifestar há tanto tempo, está presente no cotidiano de muitos povos hodiernamente.

Paralelamente à questão, em abril de 2023, foi publicado pela G1, um caso em que uma mulher negra foi acusada de roubar iogurtes em um supermercado na cidade de Imperatriz, no Maranhão. Segundo a manchete, após revistarem todas as sacolas da moça com tamanha violação verbal, a rede de supermercados não se posicionou sobre a ocorrência e nada foi feito com o ator do crime racista. Isso significa que após todo o constrangimento causado, o agente não foi penalizado, como consta no código penal, que afirma: “pena de um a três anos de cadeia, inafiançável e imprescritível”.

Dessa forma, medidas operantes deverão ser tomadas com urgência a fim de sanar o óbice de injúria racial nos mercados brasileiros. Para que isso aconteça, o poder Legislativo revisará o artigo de número cinco da Constituição Federal, que garante direitos iguais à população independente do tom de pele, fazendo adaptações necessárias para que a proposta comece a ser realizada da forma correta. Além disso, compete aos governantes levar às escolas palestras sobre o racismo, para que as crianças cresçam sem tal estigma. Assim, a sociedade canarinha deixará de enfrentar crimes raciais nos supermercados.