Os supermercados como palco de horror e racismo
Enviada em 29/09/2023
Preconceito racial no Brasil
A intolerância étnico-racial no Brasil se dá desde sua condição de colônia portuguesa até os dias de hoje, abrindo espaço para a normalização do frequente papel dos supermercados brasileiros como palco de horror e racismo, que se classificam pela supremacia da branquitude e do homem europeu ao longo da história, além da banalização da tratativa do racismo e do discurso de ódio ocorrida atualmente.
Cabe remontar, primeiramente, ao passado escravocrata brasileiro - não tão distante- e às condições de sobrevida pela população negra ali sofridas, que tiveram seus direitos negados, definidos e revogados pelos portugueses, originando uma longa história de relativizações, preconceitos e apagamento das identidades pretas; e contribuindo para o cenário de abandono e não fiscalização dos direitos básicos por lei garantidos à esta parcela da população.
Em segundo lugar, proveniente do desenvolvimento da República de forma concomitante a tais maneiras de violência e silenciamento, enraizou-se um grande sentimento de superioridade entre raças e uma seguinte ignorância com relação ao reconhecimento destes privilégios distintos, tornando natural que pessoas brancas (algumas destas, funcionários de supermercados) tenham em seu imaginário tais noções segregantes e racistas, implementadas de forma velada e não natural ao longo dos momentos históricos, colocando-as em um falso lugar e poder de escolha quanto à liberdade do outro.
Desta forma, urge-se a necessidade de entendimento, por parte das pessoas brancas, de seu lugar de privilégio, relevante para a formação de uma sociedade equitativa e para o começo de sua desconstrução, de modo a assegurar o respeito e igualdade previstos na Constituição, e inibindo quaisquer tipos de violência contrária à manutenção de uma vida digna e respeitosa.