Os supermercados como palco de horror e racismo

Enviada em 11/06/2024

“Não lutamos por integração ou por separação. Lutamos para sermos reconhecidos como seres humanos”. Nesse sentido, a afirmação do ativista dos Direitos Humanos Malcolm X é verificada nos horrores sofridos por pessoas negras em estabelecimentos públicos, evidenciando a perseguição e o preconceito racial praticado por uma parcela da população branca. Com isso, emergem sérias complicações em virtude da discriminação oriunda do racismo estrutural e da negligência policial acerca de casos de intolerância.

Nesse cenário, ressalta-se, de início que a discriminação racial está enraizada na sociedade brasileira, proveniente de anos de escravidão e exclusão social. Tendo isso em vista, o trecho “querem que nossa pele seja a pele do crime” da música Bluesman de Baco Exu do Blues é um exemplo de como as consequências do racismo estrutural afetam a vida das vítimas. Nesse sentido, a marginalização de pessoas negras ocasiona a desumanização das mesmas, motiva uma violência gratuita e, consequentemente, gera insegurança para essa maioria minorizada. Adicionalmente, o medo se tornou cotidiano para pessoas pretas, que frequentam espaços públicos incertos de que não sofrerão nenhum ataque racista.

Ademais, a negligência policial acerca de casos de intolerância ocasiona o sentimento de impunidade aos cidadãos, e fomenta as práticas do preconceito racial. Diante do exposto, segundo a escritora Angela Davis, um dos principais nomes da luta pela causa negra feminista, “Em uma sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista”. Essa reflexão se relaciona com a falta de preparação e de interesse de profissionais de segurança pública em lidar devidamente com os casos de racismo. Por consequência, em muitas ocorrências de crimes racistas, dependendo da seriedade da agressão, os autores não são responsabilizados, e as vítimas são ignoradas, cenário que viabiliza a normalização social da violência contra pessoas pretas.