Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 28/10/2025

’’ Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia’’. A frase de Marina Colasanti retrata a propensão da coletividade em normalizar problemáticas graves, como o impacto da cultura da ostentação na sociedade brasileira. Nesse ensejo, é essencial adotar ações para superar esse fato, fruto da ineficiência estatal e da influência das mídias digitais.

A princípio, é notória a inoperância institucional como propulsora desse cenário. Sob esse aspecto, de acordo com Nicolau Maquiavel, no livro ‘‘O Príncipe’’, os governantes devem priorizar o bem universal. Todavia, o poder público, ao não promover campanhas de inclusão e valorização da diversidade, de modo a demonstrar através de exemplos que o valor de um cidadão não está no que se possui, contribui com a falta de reflexão sobre o assunto em escala civil e política. Em face disso, é injustificável que a postura improdutiva do Estado coopere com esse contexto, uma vez que é inegável que a ostentação amplifica a discriminação socioeconômica, ao reforçar o estereótipo de que o valor de um indivíduo está relacionado ao seu poder aquisitivo.

Ademais, as redes sociais intensificam a cultura da exibição de bens materiais. Nessa lógica, a obra ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’, de José Saramago, revela uma comunidade cívica moralmente cega, definida pelo egoísmo e pela apatia social. Essa alienação moral reflete-se no estilo de vida ostentatório exposto por influenciadores digitais, esse comportamento inspira seus seguidores a tentarem reproduzir uma versão idealizada de suas rotinas, ainda que seja preciso se endividarem para isso. Diante disso, torna-se inadmissível a perpetuação dessa conjuntura, visto que é indubitável que caso os usuários não consigam se adequar ao alto padrão de consumo, acabem emocionalmente afetados, com transtornos de ansiedade, baixa autoestima e depressão.

Dessarte, alternativas são fulcrais para reverter esse quadro. Logo, cabe ao Poder Legislativo, guardião das leis, garantir a reconhecimento intrínsico de cada cidadão, por meio de uma lei que fomente o valor da autenticidade em oficinas nas escolas e em campanhas com influenciadores de diversas etnias e origens socias, a fim de que características morais sejam o novo parâmetro de sucesso.