Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 13/03/2026
A ostentação não é um valor restrito ao século XXI. Ricos ostentam desde as antigas civilizações. O que parece incomodar é uma pessoa pobre “ostentar”. Para, além disso, as ostenções das altas classes quase sempre foram às custas do trabalho exploratório ou de escravização de outras pessoas. Seja direta ou indiretamente, a ostentação sempre está ligada a algum tipo de injustiça. Logo, o ideal de viver, vestir e comer bem deveria ser acessível a todos. Assim, jovens não seriam tão ludibriados por uma vida fácil, que se resume em marcas para postar.
Antes da guilhotina, o Rei Luís XV, esbaldou-se em banquetes caros, enquanto seu povo passava fome. Debaixo de tanta opressão, o povo revoltou-se e na Revolução Francesa, decapitaram seu rei. As históricas igrejas brasileiras são revestidas em ouro e materiais caríssimos, entretanto foram construídas pelas mãos dos que foram retirados de sua terra, feitos cativos, porque, aos olhos dos poderosos, eles não eram lá tão “imagem e semelhança de Deus” como eles. Que ironia! Sendo assim, a riqueza sempre foi concentrada nas mãos de poucos, equanto muitos padeciam. Já que, parafraseando, o sonho do oprimido sempre foi o acesso aquilo que seu opressor tem. Afinal, não é somente pelo dinheiro, é pelo poder.
Drummond, consagrado poeta mineiro, já denunciava há décadas a necessidade de impressionar por meio da “etiqueta”. Na era digital, tais etiquetas são as marcas usadas, postadas, difundidas de forma que quem usa passa a ser mais aceito dentro de um grupo social. Como exemplo, há alguns anos, uma adolescente, aos gritos, eperneava no chão de um lugar público, pois queria o “iphone” de última geração, enquanto a mãe argumentava que não tinha dinheiro para esse, mas que poderia comprar um da anterior.
Para educadores (pais e professores), assim como às intituições governamentais fica o trabalho árduo de construir “pensadores que pensam”, uma vez que a sociedade afunda-se nessa confusão de que ser é ter. Porque, pessoas deixam de comprar alimentos para afundar-se em vícios e objetos desnecessários. Logo, Educação Financeira, aliada à Filosofia e “terapia para todos” poderia ser algumas das medidas adotadas nesse sentido. Assim, teria-se mais oportunidades.