Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 29/08/2019

Na contemporaneidade do mundo atual vivemos uma realidade em que tirar selfies é mais importante que aproveitar os momentos, a quantidade de curtidas é mais importante que o conteúdo e mostrar para o outro é mais importante do que simplesmente viver. Segundo o livro “A Sociedade do Espetáculo” de Guy Debord, que critica a sociedade contemporânea, isso ocorre devido à sociedade do consumo, à cultura da imagem e à relação das pessoas mediada pelo parecer ser. Entretanto, essa ostentação torna-se um problema quando as pessoas passam a viver em função de expor para o outro ao invés de viver em função de si próprio.

Segundo o filósofo Jean Jacques Rousseau, a civilização cria muitos problemas. Ele diz que o homem civilizado não vive para viver, mas vive para fazer os outros acreditarem que ele viveu. Essa ideia de Rousseau encaixa-se perfeitamente na sociedade consumista e “ostentadora” que vivemos, e, por muitas vezes problemática devido à necessidade de adquirir para exibir para os outros além do que se pode comprar, podendo assim gerar dívidas altíssimas.

Essa cultura surgiu e se fortaleceu no chamado funk ostentação que exalta o consumismo exacerbado e canta sobre como é bom exibir tudo que o dinheiro pode comprar como carros caríssimos, tênis de marcas famosas, roupas de grife, relógios, pulseiras e cordões de ouro. Entretanto, esse tipo de música, vinculado também às propagandas midiáticas reforçam no indivíduo a ideia de que é preciso consumir para estar integrado à sociedade. Dessa forma, para conseguir se colocar dentro dos padrões capitalistas e poder postar e ostentar nas redes sociais, o indivíduo usa de forma totalmente irracional o dinheiro.

Deste modo, seria importante que o Ministério da Cultura investisse em projetos que levassem para o jovem, principalmente da periferia, palestras e informações sobre o papel do indivíduo na sociedade, para que assim ele entenda que não é preciso consumir e ostentar para ser considerado cidadão e parte integrante da sociedade e que ele já é independente dos bens materiais que posui. Também seria eficiente que as escolas investissem em aulas de Empreendedorismo, para que dessa forma as crianças cresçam sabendo como administrar o dinheiro e como gastar de forma racional e consciente. Assim, em um médio período de tempo, poderão ser observadas mudanças no comportamento do indivíduo e o nascimento de gerações menos consumistas e menos preocupadas em exibir ao invés de disfrutar.