Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 01/10/2019

É evidente que a formação social brasileira proporcionou muitas realidades díspares. Nesse sentido, enquanto algumas pessoas passam necessidades, outras ostentam bem materiais para se reafirmarem socialmente. Sob essa perspectiva, cabe avaliar que a fragilidade humana e a manipulação midiática, atuam como impulsionadoras da ostentação no século XXI.

Convém ressaltar que segundo John Donne, poeta inglês, “nenhum homem é uma ilha isolada”. Sob esse viés, pode-se observar à fragilidade humana que utiliza da exibição de bens materiais para obter reconhecimento e aceitação em determinado meio social. Prova disso, está certamente na aquisição de carros, roupas e celulares de valores exorbitantes que demonstram “status” de grande poder aquisitivo e hierarquização social. Essas atitudes são essencialmente motivadas pela competitividade, e pelo reconhecimento em ser melhor do que o outro por poder comprar certo tipo de bem material.

Faz-se mister, ainda, salientar a manipulação midiática como impulsionadora da ostentação. De acordo com Steve Jobs, magnata americano do setor da informática, “as pessoas não sabem o que querem, até mostrarmos para elas”. Diante de tal contexto, os anseios lucrativos do capitalismo utilizam das mídias comunicativas para manipular e incentivar a aquisição e ostentação de bens. Em outras palavras, os meios comunicativos são usados para criar falsas necessidades, muitas vezes, essas, inacessíveis para grande camada popular. Ademais, há também grande valorização de uma “sociedade de espetáculos”, que admira o caro e o exclusivo e marginaliza o simples e barato.

Torna-se evidente, portanto, que ainda há entraves para suprimir o culto à ostentação. Em primeiro plano, é de suma importância que o seio familiar promova, perante seus membros, conversas e discussões que valorizem os princípios morais de simplicidade e igualdade. Dessa maneira, a dissolução da imagem de poder e de hierarquização através da exibição de bens materiais ocorrerá na base familiar, e atingirá principalmente crianças e jovens que estão em desenvolvimento de personalidade. De outra parte, o Poder Legislativo deve, por meio de seus deputados e senadores, discutir e aprovar leis que delimitam o poder de influência das mídias no processo em que os indivíduos compram bens materiais. Dessa forma, o Brasil estará atuando na quebra de valores relacionados à ostentação no século XXI.