Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 29/10/2019

No ano de 2018, um canal de comunicação digital iniciou a divulgação de videos que mostram adolescentes portando roupas e objetos de valores exorbitantes. Por consequência, esses videos foram compartilhados milhares de vezes, gerando discussões acerca do consumo exacerbado. Tal exemplo descrito retrata o valor do século XXI: a compra de bens materiais para a exibição. Destarte, cabe analisar os motivos desse enaltecimento, sendo eles originados da manipulação para a aquisição e do desejo incontrolável de obter.

Em primeira análise, é licito postular que a publicidade cria a ilusão da necessidade de possuir novos produtos frequentemente. Nesse contexto, com base na premissa analítica do filósofo Hebert Marcuse, o capitalismo oferece a sensação de liberdade, já que fornece diversas opções de escolha para o consumidor. Quanto a isso, garante-se o falso sentimento de autonomia enquanto há a manipulação do comprador, para que ele adquira o pertence de mais valor econômico. Consequentemente, o indivíduo ao obter o que almeja não reflete sobre o controle que sofreu.

Paralelo a isso, o desejo de possuir os produtos visando a repercussão acerca de sua exibição perpetua a problemática. Segundo o filósofo alemão Schopenhauer, a humanidade é guiada pelo desejo irracional. Dito isso, o estigma a respeito dessas posses e a valorização de quem a possui ocasiona o deslumbre e o desejo pela admiração que como resultado, aumenta a vontade de consumir. Em posse dessa informação, constata-se a teoria marxista denominada ‘‘fetichismo da mercadoria’,’ a qual define que na sociedade industrializada a compra se torna mais valiosa que o comprador.

Infere-se, portanto, a complexa situação que envolve a ostentação no século XXI. Para amenizar o quadro cabe ao Ministério das Comunicações controlar a intensa exibição de propagandas apelativas. Essa medida deve ocorrer por intermédio de órgãos como o CONAR, que analisarão os métodos de escrita e fala de cada divulgação de produto, observando se há intensa valorização do objeto e principalmente, de seu usuário. Tal ação objetiva a diminuição da manipulação para a compra e consequentemente, do estigma criado acerca do item e do indivíduo. Feito isso, será evitado o enaltecimento desses atos, diferentemente do que houve em 2018.