Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 30/10/2019
Um tema bastante discutido nos dias atuais é a ostentação como um possível valor do século XXI. Certamente, a problemática não é notória apenas na atualidade, já que é resultado de uma estruturação histórico-social. Nesse viés, faz-se necessária a discussão a respeito dos elementos históricos e sociológicos que contribuíram com essa construção, sendo preciso analisar alguns povos antigos e estudiosos clássicos da sociologia.
Em primeiro lugar, na Grécia Antiga, a ostentação começou a ganhar destaque. Isso ocorreu devido à forte influência da mitologia na época, em que havia o culto a estátuas de deuses adornadas com roupas consideradas ricas na Idade Antiga, e às guerras, que ocorriam frequentemente. Dessa forma, os usuários de roupas semelhantes àquelas associadas aos deuses, bem como os portadores de armas de guerra, as ostentavam como um símbolo de alto poder militar e aquisitivo, sendo semelhantes a seres divinos dos cultos religiosos. O enaltecimento do uso de objetos de valor, certamente, se perpetuou na história da humanidade a partir desses povos, visto que é presenciado, nas épocas posteriores, com notória influência grega. Exemplo disso foi o Renascimento Artístico Cultural, que recuperou os valores Helênicos em suas manifestações, influenciado diretamente na ostentação de adornos, objetos, entre outros elementos.
Em segundo lugar, há uma construção simbólica de elementos considerados “ostentáveis”. Afinal, para que um portador de um carro de luxo o ostente, por exemplo, foi necessário aprender o valor social desse automóvel. O mesmo aprendizado é aplicável a outros veículos, roupas ou acessórios. Pierre Bourdieu, a respeito da temática, afirmaria que existe um poder simbólico que determina o que é símbolo de ostentação e o que não é, o que é estruturado na sociedade de acordo com os costumes, regimes políticos e ideologias dominantes. Certamente, numa sociedade estruturada historicamente em regimes inicialmente absolutistas e encorporada no sistema capitalista, a lógica de consumo se fortaleceu, de tal forma que aquele que mais consome, mais ostenta. Esse fortalecimento seria interpretado por Durkhein como coerção social, isto é, pressão social exercida sobre indivíduos para que consumam cada vez mais.
Portanto, a ostentação não é um valor do século XXI, visto que foi construída histórica e socialmente. Cabe a organizações, como ONGs, transmitir esse conhecimento à sociedade por meio de palestras informativas, em que historiadores e sociólogos explicariam os motivos pelos quais a ostentação não é um valor da era contemporânea. As explicações podem envolver estudos sociológicos, informações históricas e exemplos cotidianos. Dessa forma, as pessoas conhecerão as “raízes” da ostentação.