Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 25/04/2020
O pau-brasil extraído na antiga América Portuguesa, atual Brasil, produzia uma tinta de coloração vermelha utilizada no vestuário de nobres e clérigos de Portugal, reafirmando um estado de poder, luxo e riqueza. De maneira sequencial, a ostentação perdura na sociedade brasileira do século XXI, onde “ter” é sinônimo de “ser”. Assim, torna-se essencial ressaltar a ausência de um pensamento crítico como causa, bem como os prejuízos sociais fomentados em decorrência disso.
Primeiramente, faz-se necessário entender o que é ostentação e porque elas ocorrem. Ostentação é o ato de, com muito excesso e orgulho, exibir realizações, posses ou habilidades de si próprio. Nesse sentido, quem precisa ostentar, normalmente, se sente inferior e precisa mostrar seus bens materiais na tentativa de se sentir superior. Porém, para o processo de produção capitalista, o homem que ostenta se aliena, pois acaba adquirindo coisas que nem sempre precisaria e que a maioria das pessoas não podem ter. Desse modo, o filósofo Adorno afirma que o capitalismo, para esse indivíduo, não vende apenas produtos, mas sim uma pseudo-felicidade que desperta um desejo compulsório de consumo. Como consequência desse comportamento, que promove o capitalismo exacerbado, é possível observar problemas decorrentes desse desejo. Sob tal ótica, as pessoas deixam de investir na sua própria saúde, educação, até mesmo na sua alimentação, para possuir um objeto de alto valor. Assim, o desejo de possuir um celular, roupas e carros faz com que a pessoa lute para conseguir obter esses itens. Ademais, outras pessoas sem condições financeiras, para alcançar esses bens, acabam roubando para conseguir o dinheiro. A Indústria Cultural, portanto, transformou os indivíduos em objetos e não permite a formação de uma autonomia consciente, provocando a crise da razão.
Diante dos fatos mencionados, conclui-se que a ostentação se tornou um problema comum e, mesmo que proporcione a satisfação momentânea do indivíduo, traz muitas consequências negativas à sociedade, o que sucumbe à necessidade de uma intervenção. Para tanto, o governo, com a Secretaria Especial de Comunicação Social, deve priorizar ações publicitárias de caráter educativo, despertando o senso crítico da população a fim de fazê-la reconhecer a maneira irracional de seu consumismo. Além disso, a sociedade é responsável por diferenciar a aquisição necessária daquela criada em seu subconsciente, evitando, assim, futuros conflitos proporcionados pela irresponsabilidade de consumo.