Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 14/06/2020

De acordo com o filósofo Emmanuel Kant “não somo ricos pelo que temos, mas pelas coisas que não precisamos ter”. Nesse contexto, tal pensamento define um fenômeno crescente no século XXI: a ostentação. Todavia, a inversão de valores entre “ser” e “ter”, bem como as complicações financeiras relacionadas a essa prática são problemas que precisam ser avaliados.

A priori, convém destacar que a ostentação influencia a construção de estereótipos que focam na posse de bens de consumo e, sobretudo, no exibicionismo banal. Nesse sentido, não basta apenas gastar verdadeiras fortunas em artigos de luxo, é preciso que outras pessoas contemplem suas conquistas na tentativa ser aceito por uma sociedade cada vez mais narcisista e competitiva. No entanto, a superficialidade da aparência não garante uma vida plena e feliz, por conseguinte, é fundamental investir no crescimento pessoal, em bons relacionamentos e na solidariedade que o mundo precisa. Assim, como prega a música “Trem Bala”, de Ana Vilela, “Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar. E sim sobre cada momento, sorriso a se compartilhar”.

Ademais, o crescimento da renda e a ampliação do crédito, vistos nos últimos 15 anos, possibilitaram que integrantes de classes mais baixas tivessem acesso a produtos e serviços que antes eram restritos às pessoas com alto poder aquisitivo. Dessa forma, é comum ver patrões e funcionários com o mesmo modelo de celular ou usando as mesmas roupas de marcas famosas. Entretanto, embora a democratização do consumo seja algo positivo, é necessário refletir sobre o desejo, a necessidade e as reais possibilidades financeiras de cada um, pois segundo dados do Serasa, 40,3% da população adulta está inadimplente no Brasil.

Portanto, tendo em vista que a ostentação pode trazer prejuízos de ordem pessoal e financeira, é impreterível estimular o consumo consciente. Para tanto, a mídia deve, por meio de animações, programas e posts, incentivar a economia colaborativa na qual o comprar se transforma em alugar, compartilhar, emprestar, doar, contribuir. Desse modo, as tradicionais relações de consumo serão substituídas pelo senso de propriedade comunitária, favorecendo novas formas de interação humana. Além disso, o Ministério da Educação deve incluir uma disciplina voltada ao planejamento econômico para que os indivíduos aprendam a priorizar o que realmente importa a fim de reverter o preceito de Kant.