Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 11/09/2020

Debate-se com frequência acerca da ostentação como um valor no século XIX, haja vista que com a evolução da sociedade capitalista que incentiva  o consumo de bens e supervaloriza marcas e o status social que elas podem trazer, o homem tem buscado por meio do exibicionismo a aceitação social tornando-se supérfulo. Isso se deve, principalmente, a ultra valorização de bens materiais e superficialidades evidenciada na mídia por anúncios e propagandas. Além disso, à falta de um consumo consciente da população, no que cerne em comprar o que realmente precisam, também contribui para esse problema. Por isso é imprescindível que o poder público tome medidas para mitigar essa situação.

Em primeiro lugar, a manipulação de massas voltada ao consumo já está presente na sociedade há certo tempo, como evidenciado no documentário Britânico “O século do ego”, o qual mostra a maneira que as empresas e o governo se utilizam dos estudos do psicanalista Freud, para manipular as pessoas a comprar o que não precisam. Essa manipulação das massas está intimamente ligada ao exibicionismo que ocorre na atualidade, pois as pessoas tem a convicção de que ter determinado objeto irá levar elas a um patamar social mais elevado e gastam mais em produtos que tragam status.

Somado a isso, à falta de um consumo consciente e de uma educação midiática que proporcione aos consumidores um pensamento mais crítico e que reduza a manipulação que eles sofrem em decorrência das propagandas, contribui para a vangloriação das pessoas ao adquirir objetos supérfluos. Segundo o escritor e filosofo Maquiavel, em sua obra “O Príncipe”, a maior parte da humanidade está satisfeita com as aparências como se fossem realidades, e muitas vezes são mais influenciadas pelo que parecem do que pelo que são. Desse modo, a sociedade que tem a ostentação como princípio deixa de dar valor ao que realmente importa, o ser, e canaliza sua atenção para trivialidades.

Assim sendo, é imprescindível que o poder público de cada país atue por meio do Concelho Nacional de Autorregulamentaçao Publicitária (CONAR) e Ministério da Educação (MEC), ou órgãos equivalentes, para reduzir anúncios que evidenciem a ostentação na sociedade e incentivar o consumo consciente. Isso deve ocorrer por meio da fiscalização dos anúncios expostos na mídia e redes sociais que mostram o exibicionismo como valor na sociedade, com o objetivo vangloriar o que é realmente importante: o ser de cada indivíduo no lugar do ter. Ademais, o MEC deve implementar nas instituições de ensino, a educação midiática, além de realizar palestras e cursos online gratuitos sobre o tema, com a finalidade de gerar senso crítico na sociedade e reduzir o poder de convencimento da mídia, contribuindo para construção de consumidores mais conscientes, que comprem o que precisam e não o que querem mostrar para outras pessoas.