Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 09/10/2020

No Brasil, o novo modo de vida tem feito as pessoas perderem tempo fazendo compras, desfilando pelas ruas com roupas de grife, diversos acessórios dourados e carros de luxo. Chama-se ostentação, e tem por objetivo evidenciar bens materiais em busca de status, respeito e manifestação de seu valor perante o grupo.

A moda da ostentação ganhou grande força nas letras do Funk, estilo musical oriundo da periferia que se torna uma contradição visto que muitas dessas pessoas vivem em condições precárias de moradia, saneamento básico e saúde. Na busca pela ascensão social, o consumismo cresce exponencialmente com índices de inadimplência que, segundo a Serasa em 2016, já atingiram 60 milhões de brasileiros com dívidas em torno de R $256 milhões.

Em várias culturas, as discussões sobre o consumo excessivo e a ostentação permitem perceber que este não é um problema apenas do Brasil. Nos Estados Unidos, o movimento “Bling” foi adotado por vários rappers que são conhecidos por mostrar em suas letras e estilo de vida que o dinheiro pode comprá-lo. Para Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro Raízes do Brasil, o brasileiro se sente desmotivado diante de suas condições reais. Diante da insatisfação com sua situação, surgiu o esforço de busca pelo reconhecimento social, e agora enfrentam o conflito entre posse e existência.

O sociólogo Zygmunt Bauman discutiu a transição de uma sociedade produtiva para uma sociedade de consumo no livro “Modernidade líquida”. Nessa transição, o consumo se tornou a base para a criação de identidade, porque o consumo já existiu. Torna-se mais importante do que a realidade. No entanto, os indivíduos precisam entender seu valor real na sociedade por meio do conhecimento, não apenas das mercadorias.

Portanto, o problema não é com as manifestações artísticas ou com o estilo de vida que o movimento de ostentação quer introduzir, mas com as consequências que uma busca constante por bens materiais pode trazer ao lado do descontentamento crônico. Para tanto, seria necessário reeducar a população por meio de palestras, ONGs, propagandas e campanhas para educar as pessoas sobre a melhor gestão dos gastos, bem como sobre o valor do indivíduo na sociedade, que vai muito além de possuir.