Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 09/10/2020

Ostentação: um valor do século XXI?

Nos últimos tempos, a realidade social de muitos brasileiros mudou para melhor. Em consequência o poder de consumo da sociedade aumentou. Neste sentido, percebe-se a criação de um paradoxo social: ao mesmo tempo em que a situação financeira de muitos indivíduos melhorou a exclusão social continua. Com a intenção de amenizar essa situação, os oprimidos tentam se enquadrar ao estilo de vida das classes mais favorecidas ostentando sem poder.

Em coadunação com o pensamento do sociólogo Émile Durkhein, o fato social exerce coerção sobre os indivíduos. Nessa perspectiva, os mecanismos publicitários influenciam as pessoas a pensar que é preciso consumir para estar integrado à sociedade. Desse modo, crescem os infortúnios, como dívidas.

A ostentação brasileira tem origem em um movimento norte-americano, que foi popularizado principalmente por rappers que exibem joias, roupas e carros como símbolo da nova ascensão social. Porém, no Brasil, muitas dessas pessoas vivem em condições precárias, têm dificuldade em pagar o aluguel e plano de saúde, mas não deixam de consumir bens de consumo supérfluos. Em contrapartida, a ostentação não é restrita apenas às classes menos favorecidas. Os ricos também estão incluídos nessa parcela da população que não consegue ir a um restaurante sem fotografar a comida e compartilhar nas redes sociais.   Se faz evidente, portanto, que a sociedade deve recuperar a capacidade de refletir sobre seus valores e deixar de ser completa vítima das facetas do capitalismo. Em primeiro lugar, a conscientização deve partir dos próprios indivíduos, que dão mais valor ao que têm em vez do que são. A escola como educadora deve auxiliar na construção desses valores. É importante também que a mídia não faça distinção de classes ao criar um público-alvo para um determinado produto, visando cada vez mais a uma sociedade harmônica e igualitária.