Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 13/10/2020
A música “É o poder da ostentação” da Banda Luxúria retrata uma situação em que o autor em questão só consegue manter uma relação com tal mulher a partir de determinadas condições, que seriam obtidas a partir de objetos e atos que demonstrassem luxo. Atualmente, situações como essas são cada vez mais comuns, e torna-se perceptível a liquidez das relações e da personalidade de pessoas que têm suas bases na ostentação e na demonstração de consumismo. Deste modo, faz-se necessário ressaltar o impacto social causado por esse estilo de vida, tal como seus prejuízos para o indivíduo.
Primeiramente, vale destacar que a sociedade atual capitalista tem como uma de suas fortes bases o consumo. Esse consumismo se une fortemente à necessidade de cada pessoa de aparentar superioridade e exibir suas conquistas, bens materiais, e exclusividades: a ostentação. Este fato é potencializado pelas redes sociais, que fazem com quem os indivíduos busquem a melhoria de sua imagem. Tal melhoria leva os mesmos a uma alienação, onde por vezes se encontrarão na compra de bens fúteis, justamente por terem a consciência do alto valor e que poucos irão possuir. Ademais, outro fator potencializador é a mídia, que utiliza de famosos na divulgação de produtos, o que instiga o consumidor, e demonstra em novelas, séries e filmes atos ostentativos.
Como consequência desses desejos promovidos pelo capitalismo, é possível observar problemas decorridos por este comportamento. A imagem passada nas redes sociais muitas vezes distorce a realidade, transformando relações virtuais em superficiais, o que pode acabar gerando futuros conflitos de identidade. Além disso, como a ostentação demanda certa quantia de dinheiro, considerada alta para os padrões sociais, os indivíduos que praticam este ato podem perder o controle de suas finanças e acabam caindo em mares de dívidas. Uma “solução” proposta ao problema anterior para os que têm menos condições seria a compra de contrabandos e falsificações, que alimenta uma indústria ilegal. Diante os fatos mencionados, conclui-se que a ostentação se tona um comum problema, que, por mais que proporcione a satisfação momentânea do indivíduo, traz muitas consequências negativas à sociedade como um todo, o que sucumbe à necessidade de uma intervenção. Portanto, cabe a esta sociedade demonstrar outras visões de lidar com o consumo, que sejam mais conscientes e planejadas, para evitar futuros conflitos proporcionados pela irresponsabilidade. Não obstante, deve principalmente sugerir novas maneiras de destaque ao meio, por exemplo, dando mais destaque à características intrínsecas, e não aos bens materiais. Assim, por meio destas medidas, as pessoas tornam-se menos reféns da famosa liquidez da modernidade.