Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 16/12/2020

Na obra Eu Etiqueta, de Carlos Drummond de Andrade, é retratada a criação da identidade por meio do modo de se vestir. De ferma análoga, percebe-se, no Brasil, que o ser humano é caracterizado pelo que tem e o que se pode gastar, negligenciando as percepções sobre suas verdadeiras condutas. Com isso, nota-se que esse infortúnio problema é gerado pelas más influências midiáticas e tem como principal efeito o aumento das dívidas sociais.

Inicialmente, as propagações da mídia intensifica o entrave. Segundo o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Assim, o processo de ostentaçao deve-se aos meios de comunicação, seja por aguçar o ato de exibicionismo, através de propagandas de consumo, seja por impedir a formação de uma autonomia consciente sobre os reais valores humanos.

Além disso, cabe apontar como consequência dessa temática o endividamento. De acordo com o IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o percentual de pessoas com dívidas subiu 67,5%. Infere-se, portanto que, por a ostentação está diretamente ligada ao consumo e ser um padrão do século XXl, as pessoas estão gastando mais do que devem para se sentirem inclusos nesse modelo.

Assim sendo, é necessário atenuar o empecilho. Para isso, o Governo- responsável por manter a integridade social, deve proibir a propagação de conteúdos que fomentam o ato de ostentar, como a compra exagerada de materiais supérfluos, por meio de controles e fiscaliações televisionárias, para que o problema possa ser diminuído no país.