Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 29/11/2020

Os períodos pós-guerras mundiais influenciaram o surgimento nos Estados Unidos do famoso “American way of life”, isto é, “estilo de vida americano”. Essa expressão designava o alto consumo e a padronização social perceptível, na época, entre os norte-americanos. Hodiernamente, é possível observar um grande consumo em proporção global, além de uma padronização ao que diz respeito à aparente necessidade atual de exibir e ostentar os bens e estilo de vida.

Em primeiro lugar, é válido mencionar que muitos dos que utilizam os meios tecnológicos tornaram as redes sociais em um espaço de exposição e ostentação, diversas vezes de maneira demasiada, de suas vidas pessoais. Para o sociólogo Zygmunt Bauman, “Hoje o medo da exposição foi abafado pela alegria de ser notado”. De acordo com ele, o consumismo e essa exposição são reflexos da tentativa dos indivíduos de se “adequarem” à nova realidade. Conforme o sociólogo e antropólogo Émile Durkheim, em sua teoria de fatos sociais, na qual discorre sobre a coercitivade de padrões culturais que são impostas ao indivíduo, essa ocorre de forma semelhante com aqueles que se sentem persuadidos a ostentar.

Outrossim, na obra “Eu, etiqueta” do poeta Carlos Drummond de Andrade é abordado a crise de identidade gerada no indivíduo quando esse percebe que seus objetos o definem. No poema, essa crise é ressaltada no trecho “meu novo nome é coisa”. Analogamente com a ideia da obra, hoje, a mesma crise ocorre com os jovens que são influenciados a formarem suas identidades com base nos bens materiais que possuem. Ademais, nos videoclipes atuais, por vezes é abordada a ideia de dinheiro e luxo de maneira inadequada, o que influencia os indivíduos a buscarem algo semelhante com a mesma facilidade que os vídeos apresentam.

Destarte, é mister que medidas sejam tomadas para que esse valor tão presente no século XXI não tome proporções irreparáveis. Desse modo, é de suma importância que as mídias televisivas e, principalmente, as redes sociais, através de campanhas, incentivem um uso mais saudável dos aplicativos, a fim de que a demasiada ostentação não seja conteúdo nos meios de comunicação e nas redes. Além disso, é válido que as escolas, por meio de debates, salientem que a ostentação tão comum nos meios sociais, é nociva à sociedade ao criar uma falsa realidade.