Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 13/02/2021
A ostentação como cultura é praticada desde o período da Roma Antiga. Por um lado, nessa época era cultuada pela classe de nobres e burgueses dentores de influência econômica e social. Por outro, apenas no séc. XXI essa cultura de ostentar chegou aos ambientes mais populares e periféricos, causando debates acerca dos valores atuais.
Primordialmente, é necessário a compreensão que essa indústria cultural foi fomentada pela estrutura social a valorizar a aquisição de posses. Segundo o filósofo Walter Benjamin, o resultado capitalista vem primeiro do que a qualidade de uma obra, e não é diferente com a indústria cultural da ostentação. Essa fortalece a ideia do consumo e é simbolizado como uma ascensão ou pertencimento a uma determinada classe social que configura o “establishment” daquela sociedade.
Segundamente, atrelar a ideia de assenhorar posses e luxo como uma conquista pessoal é uma demanda do capitalismo. Essa ideologia do consumismo como insígnia de dignidade e status molda o pensamento coletivo de que alguém só se torna vísivel para a sociedade com aquisição financeira e objetos. Tal que demonstra quão inviesado pelo caráter elistista essa mesma sociedade é erguida e formulada a sustentar interesses classistas tornando a ostentação um valor de vincular-se ao grupo que domina e influencia os espaços.
Dessarte, é preciso que políticas públicas sejam endereçadas a transformar essa realidade por meio da educação. O Ministério da Educação deve instaurar um projeto de educacional que ponham os estudantes como formadores de conhecimento ademais, com senso crítico e fundamento, nas grades curriculares contemplando o consumo consciente com auxílio de pedagogos. Para que a população entenda e tenha como valores coisas não unicamente materiais e aquisitivos, ofertados por um estado de harmonia igualitária.