Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 01/03/2021
A ostentação, apesar de não ser um fenômeno novo, adaptou-se instrínsecamente a certos valores do século XXI. Tal estilo de vida constitui-se como um círculo vicioso, que envolve a superficialidade de valores, a liquidez do consumismo, desigualdade social e preconceito com a periferia. Dado a orientação da ostentação ao supérfluo, ela pode ser vista como alocação ineficiente de recursos finitos, especialmente tempo, dinheiro e matérias primas.
Primeiramente, a ostentação como valor — ou falta dele — é um círculo vicioso bastante fundamentado na superficialidade social e no consumismo. Dada que uma sociedade é superficial, a inclusão social seguirá o mesmo padrão, optando pelo caminho mais fácil, com menos reflexão. O consumismo, por sua vez, é visto como uma oportunidade de inclusão, por conta da adaptação ao “status quo”. Segue-se que quanto mais pessoas são adeptas à ostentação, mais.
Uma vez que recursos limitados são usados para a ostentação, menor a capacidade de mudança das causas do problema. Pessoas que investem em excesso seu tempo e dinheiro para aparência não se dão oportunidades de cultivar conhecimento, capacidades e habilidades úteis e laços sociais sadios e resilientes. Assim, a ostentação não apenas se reforça, mas também cria empecilhos para a mudança efetiva de suas condições e dos indivíduos. Tal fato é especialmente crítico considerando a maior adesão desse valor nas periferias, onde os recursos são mais escassos.
Enfim, é claro o impacto social, educacional e financeiro da ostentação, em escala global, na sociedade. Entretanto, as opções de intervenção são indiretas, pois não é possível restringir os consumidores nem as empresas. Portanto, restam as opções de alterar o meio (desigualdade social) e motivação dos indivíduos. Isso pode ser feito com uma melhor educação, pelos governos federal e municipais, especialmente em periferias, incentivando o discernimento de valores pessoais úteis e melhor planejamento financeiro e pessoal.