Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 28/02/2021
No livro “Sobrevivendo no Inferno” dos Racionais MC’s retrata-se o cotidiano da periferia nos anos 2000, onde dentre os diversos assuntos abordados, revela-se o consumismo. De modo que, os rappers se mostram desengados com os usuais hábitos luxuriosos. Em contrapartida, na atualidade emerge com grande engajamento, a cultura da ostentação, demasiadamente difundida nas comunidades, à proporção que corrobora para o alienamento desta população. Faz-se, pois, necessário o debate do tema, enraizado na sociedade atual, a fim de que tenda à solução.
Ainda que, o costume de ostentar aparente ser inovador, sabe-se que ele é na realidade, uma nova faceta do consumismo apoiada na política do capital. O filme “Cidade de Deus” permite a compreensão da realidade destas pessoas com escassa perspectiva de vida, vendo no objetivo de adquirir bens materiais um caminho para a dedicação de sua vida. Contudo, essa vereda equivoca-se ao incentivar uma meta com tamanha superficialidade, além de contribuir para o sistema capitalista, e portanto para a desigualdade social. Ao passo que, resulta no decrescimento qualitativo das periferias.
Conforme essa minoria social, decide escolher o costume da ostentação como estilo de vida, a educação permanece preterida. Segundo Kant, “O homem é aquilo que a educação faz dele”. Assim, ocorre a ridicularização do conhecimento em detrimento ao seu uso como ferramenta de desenvolvimento pessoal. De forma que, finda-se a vida com uma visão irreal do possuir, haja vista que os bens almejados são resultado do intuito de consumir e não da necessidade.
Portanto, é vital que tomem-se medidas. Os ministérios da Educação e Economia, ofereceriam palestras voltadas ao consumo e manejo do dinheiro direcionado às comunidades. De modo que, estes compreendam melhor suas necessidades de consumo e, possam usufruir com maior propriedade de suas verbas. Espera-se, desse modo, caminhar para as mesmas conclusões dos rappers do grupo Racionais MC’s.