Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 02/03/2021

Brás Cubas afirmou, em sua autobiografia, não ter tido filhos, assim não transmitiu a nenhuma criatura as mazelas da sociedade. Essas referem-se, principalmente, aos princípios do século XXI, como a ostentação. Atualmente, no Brasil, o fato de comprar aparelhos por preços exorbitantes, apenas para que as pessoas possam ver, é tratado como natural. Tal situação é fruto tanto do consumismo quanto da influência midiática.

Para entender esse cenário, é necessário, antes de tudo, destrinchar os diversos fatores que o provocaram. Nessa perspectiva, segundo o antropólogo Sérgio Buarque de Holanda, os hábitos brasileiros, em sua maioria, estão relacionados às heranças históricas do país – no período que ocorreu a ascensão da burguesia, que detinha o direito de cidadania, o qual acarretava vários privilégios sociais, políticos e econômicos. Dessa maneira, imersos em uma cultura de carros, relógios e roupas caras, os jovens – especialmente periféricos - continuam tentando ter um padrão de vida alto, mesmo que não possam arcá-lo.

Além disso, a mídia, ao disseminar o perverso ideal de que existe um determinado estilo de vida a ser seguido, também intensifica a reprodução do consumismo desenfreado. Nesse âmbito, o sociólogo Karl Marx disserta sobre os meios de comunicação de massa como instrumentos utilizados para propagar o que a classe dominante considera aceitável. Seguindo essa linha de pensamento, verifica-se que, no Brasil, as mídias sociais, ao caricaturarem as formas de viver da classe média alta, contribuem para implantar a falsa necessidade de atingir um padrão financeiro irreal que, geralmente, nem mesmo mestres e doutores conseguem alcançar.