Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 09/06/2021

A conteiporaneidade enfrenta um dualismo entre o ter e o ser, caracterizando os indivíduos a partir de uma cultura a qual supervaloriza o supérfulo. De fato, a sociedade atual, seguida de exigências consumistas, vive em uma realidade paralela representada por um ciclo infinito - e vicioso- de manter as aparências, as quais são refletidas através de objetos, vestuário e eletrônicos “da moda”, e por consequência, de alto custo. Diante dessa realidade um tanto quanto deficiente, o corpo social, o qual cega-se completamente diante do real e das verdadeiras necessidades, tem a ostentação como uma aspiração individual perante a sociedade.

A princípio, remetendo-se a ideia de pertencimento, grande parcela dos indivíduos ve no consumo uma espécie de entrada no mundo da ostentação, o qual exacerba os valores do capitalismo, massificando o individualismo e tornando-o cerne da realização pessoal. Através disso, mostra-se uma massa social que passa a exaltar o consumo ostensivo, mesmo sem condições financeiras para tal, a fim de sentir parte de um todo, longe de qualquer reprovação social. Portanto, é visível que o ser humano se encontra em uma constante busca por um status superior - e efêmero- além de sentir prazer em fazer parte de um mundo de aparências.

Em segundo plano, as mídias sociais juntamente com o marketing digital tem grande parte no impasse entre o ter e o ser. Tais veículos informativos têm um tipo de lema para propagandas: “compro, logo existo”, que visa influenciar e convencer que o consumidor, para que se torne “descolado” e tenha visibilidade social, deve adquirir produtos de uma marca específica, tornando-a como um logotipo para determinado grupo, capaz de conduzi-lo ao caminho da felicidade. Entretanto, o filósofo esloveno Slajov Zizek diz que, erroneamente, a felicidade caminha junto aos valores capitalistas, os quais prometem implicitamente a satisfação através do consumo, o que é uma inverdade pois a partir do momento em que o ser humano adquire algo que há tempos almejava, perde o interesse rapidamente, levando-o a uma nova busca pelo “novo”, sendo um eterno insastifeito.

Em suma, o ser humano vive num eterno ciclo de desejos que nunca cessam, além de ver na ostentação uma maneira de elevar-se socialmente. Logo, torna-se necessário que o Governo, através do Ministério da Educação, órgão resposável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação (PNE), em parceria com escolas, insira aulas de educação financeira, a fim de ensinar e conscientizar os jovens de como usar e investir suas finanças de maneira responsável, de modo que possa agregá-los futuramente, além de implementar aulas de ética e valores sociais na carga horária escolar, para que o público infanto juvenil passe a dar mais valor pelo que são ao invés do que têm.