Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 07/03/2021

No período Barroco, séc.XVII, a infraestrutura das Igrejas Católicas era recoberta por ouro para demonstrar poder e força. Contemporaneamente, observa-se a disseminação da cultura de ostentação, assim como, na arquitetura barroca, essa prática visa obter o prestígio social através de artigos luxuosos. Dessa maneira, depreende-se que essa modalidade configura-se como um grave problema social para o Brasil.

A priori, é imprescindível analisar a crise de valores que fundamenta a persistência do problema. Nessa lógica, destaca-se a obra ’’ A Sociedade do Espetáculo’’, do escritor Guy Debord, que se revela atual e condizente com a temática. Em síntese, a obra francesa critica o comportamento humano consumista, segundo o escritor, as pessoas vivem em uma espécie de espetáculo. Portanto, disputam entre si quem possui mais bens e capitais. De forma análoga à obra, a ostentação é resultado da crença de que a felicidade é alcançável pelo acúmulo de bens materiais.

Outrossim, é importante analisar não só as causas, mas também as consequências desse entrave. À vista disso, é necessário enfatizar a citação do escritor Saint Exupéry, ‘‘o essencial é invisível aos olhos’’. Por conseguinte, as pessoas que seguem a cultura da ostentação não são capazes de enxergar o que é essencial para a vida humana. Em virtude disso, esses indivíduos compram artefatos extremamente caros, mesmo que isso possibilite o endividamento. Desse modo, na tentativa de garantir o prestígio social muitas pessoas acabam endividadas e infelizes.

Mediante o exposto, é mister que diligências sejam encontradas para solucionar essa inercial problemática. Logo, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, inserir uma nova diretriz à Base Nacional Comum Curricular- BNCC- objetivando o ensino financeiro. Para tanto, as aulas dessa disciplina devem ser adaptadas a fim de torná-las mais interativas, despertando o interesse do aluno. Destarte, a educação financeira entre os jovens seria efetivada, diminuindo os gastos supérfluos com a ostentação.