Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 14/03/2021
No limiar do século XX, com a difusão do “American way of life”, os Estados Unidos propagaram um padrão de consumo excessivo para fortalecer a economia da época. Nesse sentido, o governo estadunidense com o apoio da mídia, propagavam a mensagem de que a felicidade estava diretamente associada ao alcance de bens materiais. Consoante ao passado, essa realidade não se restringe ao período anterior, uma vez que a problemática da ostentação, influenciada pelo setor midiático, se encontra no Brasil atual. Assim, a controversa está relacionada à alienação social.
Primeiramente, é relevante abordar que, de acordo com os sociólogos da escola de Frankfurt, o padrão de consumo moderno está ligado aos interesses financeiros, consolidando a “Indústria Cultural” capaz de corromper a identidade social da população. Desse modo, o capitalismo fomenta o consumismo a partir da mídia, por meio das redes sociais e comerciais para incentivar hábitos de compra. À vista disso, o entretenimento descontextualiza o conceito de felicidade e prazer em relação ao acúmulo de mercadoria, como o gênero musical “Funk”, em que exalta a satisfação em obter determinado produto. Por conseguinte, a sociedade se aliena ao passo que o sistema econômico se expande para mais áreas sociais e aumenta as práticas consumistas.
Por outro lado, é importante ressaltar que as obras Machadianas retratam as “máscaras sociais”, visto que em seus livros, Machado de Assis propõe o cenário em que as pessoas possuem vivências diferentes das que aparentam ter. Nesse sentido, a analogia entre essência e aparência se relaciona com a postura da sociedade, por desejar a ‘‘glamourização" dos comerciais e redes sociais. Logo, a fácil atração pelo consumo induz grande parte da sociedade se diferenciar da essência inicial. Dessa forma, a “Indústria Cultural” manipula a identidade social, como citado anteriormente.
Portanto, a ostentação continua não sendo uma exclusividade do século XX. Dessa maneira, é necessário mitigar a problemática. Para tanto, é mister que os governos administrem maior parte do PIB do Estado para o Ministério da Educação, por meio de economistas que distribuirão o montante igualmente para cada município. Isto posto, as escolas poderão investir em conteúdos e projetos para integrar a família e a escola, através de atividades recreativas, com finalidade de representar, nessas atividades, as consequências da ostentação e do consumo excessivo. Assim, as crianças e jovens, de todas as faixas etárias, poderão conhecer novos meios de compras sustentáveis e refletir sobre quais produtos são essenciais, distanciando-se da realidade do “American Way of Life”.