Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 19/03/2021

No seriado cômico mexicano Chaves, é possível observar a vida de um garoto de rua que mora em uma vizinhança muito pobre, entretanto seu amigo Kiko residente da vila ostentava com orgulho os brinquedos que ganhava da mãe para o humilde Chaves. Simultaneamente, a realidade deste seriado pode ser observada na realidade brasileira principalmente nas periferias, onde ostentar, mostrar o que tem com muita vaidade e pompa se tornou o principal valor moral do século XXI, incentivado por letras de funk e pelas mídias ou pela falta de orientação as mentes jovens são moldadas com base nesses princípios.

Nesse contexto é necessário ressaltar que os cordões de ouro, carros de luxo, mansões e o dinheiro tão exaltados nas letras de funk criam expectativa falsa para muitos adolescentes de que esse é o caminho para o sucesso. Por conseguinte, mesmo com condições não favoráveis, grande parte deles adquirem produtos de marcas famosas proporcionando uma equivocada sensação de realização. Logo, o modismo da ostentação é o comportamento normal das gerações futuras, principalmente daquelas em condições financeiras desfavoráveis que são mais suscetíveis a soberba midiática. Por isso, a divulgação do prazer trazido pelo ato de comprar faz com que 76% da população brasileira não seja um consumidor consciente, segundo dados do IBGE.

Da mesma forma, é preciso destacar a descoordenação da preparação de crianças e adolescentes para uma vida organizada financeiramente. Em virtude de uma equivocada satisfação em ter, muitas condutas são corrompidas e a parte de possuir passa a ser mais importante do que as próprias experiências pessoais, que poderiam ser compartilhadas para colaborar com o crescimento do próximo. Acerca disso, o filósofo alemão Erich Fromm afirma “a ganância é um poço sem fundo que esgota a pessoa em um esforço eterno para satisfazer a necessidade sem sequer alcançar a satisfação”. Assim, o comportamento humano é assombrado por uma condição superior inexistente que o ter possibilita.

Portanto, para romper essa cultura incoerente, é necessário que o Governo Federal aliado ao Ministério da saúde crie programas de ajuda psicólogo a consumidores compulsivos e divulgue em jornais televisivos e mídias sociais, como também, cabe ao Poder Legislativo sancionar uma lei que limite o tempo de comercias em redes abertas de televisão para romper o ciclo vicioso de incentivo. Outrossim, o Ministério da educação deve incentivar a educação financeira em escolas por todo Brasil, através de palestras e teatros sobre os perigos do consumismo e como ser um consumidor consciente. Dessa maneira o número de Kikos irá diminuir e será valorizar o que realmente deve ser valorizado, o ser.