Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 21/03/2021
Na série televisiva “Black mirror”, em um dos episódios um grupo de pessoas corre de maneira análoga em esteiras, com o objetivo de ganhar moedas criptografadas para fazer compras de roupas ou acessórios para seus avatares. Fora da ficção, é licito afirmar que isso também acontece no mundo real, às pessoas trabalham diariamente para gastar em excesso com prazeres momentâneos em busca de ganhar um prestígio social. Nesse contexto, essa problemática acontece não só pela falta de senso crítico, como também pela extrema alienação.
Nesse contexto, a escassez de discernimento é um fator que contribui para não resolver essa problemática. Segundo o filósofo Karl popper, a razão é uma dádiva, pois com ela pode-se evitar diversos malefícios. Sob essa perspectiva, na realidade contemporânea, alguns indivíduos agem em oposição a Karl, entregando-se a submissão em relação à mídia. Consequentemente, os praticantes da irracionalidade gastam muito dinheiro em busca da ostentação dos bens materiais, fato que contribui para a sociedade capitalista e alimenta a desigualdade social.
Ademais, a alienação é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, a alienação é vista em muitos âmbitos na atualidade, inclusive na mídia. Sob esse ponto de vista, é notório que as redes sociais ampliaram a comunicação, mas contribuíram para a visão de outras realidades, como a ilusão da vida perfeita marcada pela esbanjar do luxo. Desse modo, os acompanhantes de tais perfis caem no desvaneio de que tudo é perfeito se houver dinheiro em abundância, entretanto ao se compararem com essas pessoas podem adquirir o transtorno de ansiedade, o qual é muito comum nos tempos atuais
logo, para que a ostentação pare de ser exaltada, é preciso que o Ministério da cultura, em parceria com o governo federal, elabore cartilhas sobre a alienação e o senso crítico. Tais cartilhas devem ser disponibilizadas nas redes sociais e distribuídas nos grandes centros urbanos, utilizando papel reciclável para impressão. O objetivo deve ser abordar o impacto do consumismo à consolidação do problema e sugerir métodos alternativos de consumo, que não intensifiquem a questão. Assim, a ostentação não seria mais um entrave para o Brasil.