Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 25/03/2021

Com a evolução do meio técnico-científico-informacional, o advento da globalização, e consequentemente da internet, facilitaram o acesso dos jovens às redes sociais e as informações, cada vez mais cedo. Neste contexto, a enorme divulgação, por parte da elite, de uma “felicidade” e um “poder”, que vêm acompanhados de bens supérfluos, bem como as disparidades econômicas enraizadas na contemporaneidade são fatores a serem considerados frente aos impactos da ostentação na sociedade do século XXI, de modo que encontrar caminhos para combater tais circunstâncias, torna-se essencial para a manutenção do bem-estar coletivo.

A princípio, segundo os pensamentos do sociólogo polonês Zygmunt Balman, a era em que vivemos, da modernidade líquida, é marcada pela volatilidade das esferas de valores. Tal convicção se encaixa com rigor no cenário vigente, uma vez que o “ter” se tornou mais relevante, e socialmente aceito do que o “ser”. Assim, a necessidade de se ostentar o que se tem, principalmente por intermédio das mídias sociais, se converteu em ferramenta para se “garantir o pertencimento”. Nesse víes, jovens que não fazem parte da elite, e consequentemente, não tem condições de arcarem com tal estilo de vida, veem na ostentação, a possibilidade de ascenderem socialmente. Contudo, por não disporem dos mesmos recursos das classes mais favorecidas, na tentativa de manter uma imagem de riqueza, acabam por terem que viver em situações ainda mais precárias do que o usual.

Ademais, é imprescindível salientar que as disparidades econômica enraizada na sociedade contemporânea contribuem para o agravamento de um cenário em que muitos jovens, que vivem a margem da sociedade, acreditam que possuir bens, semelhantes aos de classes abastardas, irá garantir uma inclusão social e diminuir o preconceito vivenciado por eles. Todavia, tais discrepâncias não se alteram somente com aquisições materiais, como pode ser visto no seriado Gossip Girl. Na ficção, a personagem Jenny, por querer se encaixar em seu novo “grupo social” compra diversos produtos de marcas, mesmo não tendo condições para isso, e apesar de tudo, ela ainda é vista da mesma forma.

Em virtude dos fatos mencionados, uma solução efetiva para tal problemática é o viés educacional e político. Portanto, cabe às escolas proporcionarem às crianças, mediante o oferecimento de palestras e aconselhamentos pedagógicos a respeito da importância de garantir a integridade dos valores, uma conscientização sobre a necessidade de “ser” mais do que “ter”. Concomitantemente,  cabe ao Governo Federal criar políticas públicas, sob a forma de programas socioeconômicos, que atinjam diretamente os jovens, com o intuito de ensina-los, de maneira didática, a usarem corretamente os recursos financeiros,  para que, dessa forma, tal problemática possa ser gradativamente solucionada.