Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 04/04/2021

Segundo Alan Watts, filósofo crítico da efemeridade das relações sociais na contemporaneidade, na sociedade, tida como sendo de aparências, o que importa não é o caráter de uma pessoa, mas sim a quantidade de riquezas que ela tem para mostrar, uma vez que os laços são erguidos, em sua maioria, devido a algum interesse particular. Em conformidade com isso, o uso da ostentação na atualidade se difundiu graças ao senso comum das pessoas de mostrarem que tem algo para, assim, serem aceitas pelas demais. Frente a isso, torna-se válida uma análise sobre a atuação da desigualdade social, devido a obsessão das classes mais baixas a se igualarem as mais altas, tal como dos rótulos sociais na conjectura da ostentação como um valor social.

Com base nisso, tem-se que a discrepância entre as classes sociais configura-se como sendo um dos agentes quando as pessoas atribuem valor de status ao consumismo, isto é, ao poder de compra. Um exemplo disso é o que ocorre nas periferias das grandes cidades, onde as pessoas, na tentativa de não serem vistas como pobres pelas outras camadas sociais, compram itens de marca só pelo status que eles geram, mesmo não tendo condições financeiras e passando necessidades, configurando o que Marx, em seu livro “O Capital”, denomina como sendo “a consciência de classe”, que nada mais é do que os indivíduos tomando decisões em decorrência da sua condição financeira-social.

Em analogia a isso, os estereótipos estabelecidos pela sociedade são os responsáveis por manter em vigência o problema do consumo alienado, uma vez que semelhante ao que acontecia no Palacio de Versalhes, antes da Revolução Francesa, as pessoas no século XXI fazem de tudo para não serem rótulas como “fazendo coisa de pobre” ou “usando algo de pobre”, como pontua Rafael Scapella, youtuber brasileiro que abordar temas relacionadas à ostentação. Assim, por meio do ato de se comparar com os outros, os indivíduos estabelecem o que Weber denomina de “burocratização prática- egoísta”, a qual é caracterizada por causar a frieza nas relações sociais, tendo em vista que ao praticá-la as pessoas estão ponderando o que ganham ou perdem com uma determinada ação.

Assim, visando solucionar o problema, faz-se dever das escolas, as quais são responsáveis pelo desenvolvimento crítico dos indivíduos, mediante à administração de palestras para os alunos, a conscientização sobre o consumismo. Ademais, é necessário, também, que os meios televisivos como agentes influenciadores das massas, através das novelas, desrotulem as classes E, D e C como sendo sinônimos de algo ruim, sendo a finalidade, portanto, o término das comparações entre os sujeitos e, consequentemente, o fim do uso da ostentação como um valor social.