Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 23/07/2021
A ostentação define-se pelo ato de empoderar-se mediante a posse de algum bem específico e, em função da romantização e fetichismo de itens, honorável. Nessa perspectiva, é mister ressaltar que tal endeusamento de bens consumíveis é iminente - concreto e presente há tempos. Tal valorização exacerbada da posse material tem sua causa evidenciada nos parâmetros de uma sociedade liberal capitalista e também no fetichismo à itens, que por sua vez trazem consigo elevação social.
Primeiramente, tendo em vista a presença majoritária do sistema econômico capitalista no mundo, evidencia-se a acentuação da ostentação como um valor. Tal método consiste em livre mercado - realizar comércio com diferentes lugares, não havendo intervenção da máquina estatal - e na produção de lucro, acima de qualquer condição humana. Nesse sentido, é válido exemplificar o método criado por Henry Ford, produção Fordista, que se baseia na produção controlando a vida dos funcionários - visando a melhor produtividade -, realizando uma melhor gestão da empresa, objetivando assim o maior lucro possível, para afirmar que a ostentação é um valor hodiernamente, uma vez que, no século XX, já havia métodos para realçar produção, almejando lucros excessivos, colocando o dinheiro acima da privacidade humana. Ou seja, comprova-se, portanto, que, tendo em vista a necessidade de produzir e da ausência de leis que inibam tal método de produção - invasivo e mórbido -, a ostentação é um valor, acima do bem-estar humano.
Ademais, para fortificar o argumento que as doutrinas capitalistas fortificam a ostentação como um valor, pode-se recorrer ao sociólogo Karl Marx. O pensador alemão, detentor de inúmeros estudos acerca da sociedade, contém um estudo sobre o fetichismo de bens na sociedade. O estudo em questão, mais especificamente “O fetichismo da mercadoria”, aponta que itens são “coisificados”, ou seja, tem sua subjetividade transformada em objetividade, conquistando valor, somente pelo fetiche de consumir. Outrossim, é possível comprovar tal estudo apontando fatos cotidianos, onde uma bolsa que contém uma marca específica vale mais que a outra, sem marca nenhuma, porém, que realiza as mesmas funções. Sendo assim, é evidente a presença de fetichismo com itens na contemporaneidade, acentuando a ostentação como um valor no século XXI.
Diante do exposto, é notória a ostentação como um valor no século XXI. Contudo, é possível abrandar tal cenário de consumismo exacerbado. É preciso realizar leis trabalhistas fortificadas, lançadas pela ONU (Organização das Nações Unidas), que defendam a liberdade individual do trabalhador, por meio de multas e avisos para sociedades que contém o método capitalista, mediante tal ação, será possível tornar a ostentação mitigada, voltando à valores humanos.