Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 29/04/2021

No Filme “O Lobo de Wall Street”, é retratada a história de um corretor que, após enriquecer, passa a viver uma vida de luxos e ostentação que o traz grandes problemas. Fora da ficção, observa-se, na atualidade, realidade análoga à abordada no longa: no século XXI, o ter torna-se mais importante que o ser e os indíviduos buscam reconhecimento social através de uma ostentação nociva. Diante disso, deve-se entender como fatores educacionais e midiáticos interferem na problemática em questão e como resolvê-la.

Em primeira análise, cabe abordar como a educação atual contribui para a valorização da ostentação no século XXI. Isso porque, segundo o filósofo Immanuel Kant, o homem é o que a educação faz dele. Tal perspectiva verifica-se acertiva na atualidade: a ausência de uma educação financeira nas escolas impede que os indíviduos desenvolvam senso crítico e consciência empreendedora para investir seus ganhos. Como consequência, a falta de um ensino financeiro forma homens economicamente irresponsáveis, tal como previsto por Kant, e o consumismo ganha espaço na sociedade do século XXI que passa a ostentar todo seu ganho em futilidades valorizando o ter em virtude do ser.

Ademais, outro fator que estimula a valorização da ostentação na atualidade são as influências midiáticas. Nesse sentido, a obra “O Espelho” de Machado de Assis, traz a tona a história de um homem que vive em função de exibir seu cargo profissional para conseguir admiração social. Paralelamente, a realidade imita a ficção: as grandes mídias exibem objetos e vidas luxuosas como sinônimo de felicidade e sucesso pessoal. Em decorrência disso, os indíviduos sujeitam-se a uma busca desenfreada pelos ideais midíaticos e encontram na ostentação de seus bens uma maneira ilusória de serem reconhecidos e admirados  socialmente, passando assim, a exibirem-se de forma compulsória.

Fica claro, portanto, a necessidade de um debate a nível internacional sobre o tema. No Brasil, cabe ao Ministério da Educação em parceria com as grandes mídias estabelecer soluções para o problema. Para isso, o treinamento de profissionais que, lecionem nas escolas, palestras aos alunos e familliares com a temática da importância de administrar os ganhos de  modo consciente a fim de criar nos brasileiros o senso crítico e reduzir o consumismo e a ostentação desde a infância é fundamental. Além disso, a divulgação de comerciais  e propagandas que abordem a verdadeira realidade do país, ao invés de vidas com luxos utópicos é indispensável. Somente dessa forma os brasileiros serão transformados positivamente pela educação, como previsto por Kant, a ostentação deixará de ser um valor no século XXI e realidades como as de “O Lobo de Wall Street” ficarão apenas na ficção.