Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 29/05/2021
“O essencial é invisível aos olhos” é a máxima sublime do livro “O Pequeno Príncipe”, Antoine de Saint-Exupery. Todavia, em contraste com o livro, a sociedade moderna preconiza apreciar o que é visível aos olhos, como roupas de marca, carros e assórios caros. Assim, formula-se a subcultura da ostentação, evidenciada pela música, hobbies, rotina e saldos negativos na conta bancária dos brasileiros. Isso ocorre, seja pela educação financeira precária que assombra o país, seja pela superficialidade cultuada no corpo social hodierno. Dessa maneira, é imperioso que essa chaga seja resolvida, a fim de que a máxima do livro torne-se uma constante moderna.
Nessa perspectiva, acerca da lógica referente à inépcia educacional financeira na qual está imerso o país, é válido retornar a omissão estatal nesse caso. Segundo o escritor Wittgenstein, “os limites do meu conhecimento são os limites do meu mundo”. Em outras palavras, o homem limita-se ao que aprende. Porém, a educação financeira é encarada como algo opcional ao ensino básico, assim, não faz parte da grade curricular do ensino brasileiro. Em consequência disso, lidar com dinheiro não faz parte da formação do indivíduo e estabelece uma sociedade sem a devida instrução financeira.
Consequentemente, estabelece-se um ciclo de capitalismo desenfreado, no qual gasta-se mais do que se ganha. Segundo o sociólogo Karl Marx, a sociedade de consumo não só cria um objeto para o sujeito, como também cria um sujeito para o objeto. Ou seja, o capitalismo molda as pessoas quanto ao que e quanto gastar para encaixar-se. E, sem o conhecimento financeiro adequado, os sujeitos tornam-se marionetes do sistema. Evidencia-se o supracitado por pesquisas do jornal nas quais relatou-se que mais de 80% dos brasileiros têm pouco ou nenhum conhecimento sobre como fazer o controle de suas próprias compras.
Ademais, outro fator que promove a subcultura da ostentação é a devoção hodierna à aparência. Conforme o pensamento do filósofo Zygmunt Bauman, a superficialidade é um dos pilares dessa geração, uma modernidade líquida-na qual ter é mais valoroso que ser,nesse contexto-. Logo, a cultura do consumismo embasado na aceitação social promove à ostentação.
Depreende-se, portanto, a necessidade da adoção de medidas para mitigar a subcultura da ostentação da modernidade. Para tanto, urge que o Ministério da Educação promova a adição da disciplina de Educação Financeira à grade curricular obrigatória no ensino público desde a tenra idade. Devem ser promovidas, também, campanhas, palestras e divulgações de pautas relevantes por meio das mídias de grande alcance que viabilizem o processo educacional de jovens e adultos. Só assim, os brasileiros estarão capacitados e valorizar o invisível aos olhos e a não ser marionetes mercantis.