Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 08/06/2021

Durante a Idade Média, o luxo era restrito ao primeiro estado, isto é, à nobreza. Contudo, no século XXI, a ostentação de riquezas se tornou um valor almejado por uma grande parcela da população brasileira. Dessa maneira, urge analisar que esse cenário está diretamente ligado com o sistema capitalista em conjunto com a má influência midiática e tem como efeito o sucateamento da classe média no Brasil.

Diante dessa realidade, convém destacar, primeiramente, como a estrutura capitalista e a mídia são origens da problemática. Sob essa ótica, consoante ao filósofo Adorno, os receptores de mensagens dos meios de comunicação são vítimas da indústria de massa, caracterizada por incentivar o consumo exagerado. Desse modo, nota-se que o capitalismo, aliado as redes midiáticas pode, de maneira ameaçadora, para beneficiar o lucro próprio, alienar a população e catalisar a ostentação como uma virtude a ser seguida no cerne da comteporaneidade.

Além desse contexto, deve-se salientar as consequências que esses valores trazem para o Brasil. Sob esse prisma, o sociólogo Zygman Bauman postula na frase “Consumo, logo existo” que, na sociedade pós moderna, a ostentação tornou-se uma condição indispensável à vida. Nesse sentido, é primordial dizer que essas compras alienadas sucateam a classe média brasileira — principal promotor da econômia —, uma vez que, de acordo com dados do IBGE, 3 em cada 5 familias brasileiras estão endividadas. Logo, é indubitável que o exibicionismo como uma virtude nos dias atuais tornou-se uma mácula para o progresso econômico nacional.

Portanto, medidas educativas e socioculturais são necessárias. Assim, com o intuito de tornar os cidadãos brasileiros menos alienados, cabe ao Ministério da Educação — haja vista seu importante papel na formação sociocultural desde a tenra idade — fomentar debates sobre problemas atuais e suas possíveis soluções, por meio de uma matéria chamada “Projeto de pesquisa, debate e intervenção” obrigatória desde o ensino fundamental II. Espera-se, com isso, que no futuro o Brasil tenha uma comunidade focada em melhorar o país, e não em ostentar produtos imateriais.