Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 13/06/2021

Na obra ’’ Eu etiqueta ‘’, Carlos Drummond de Andrade, relata a fabricação da identidade mediante a exibição de produtos, ou seja, no contexto contemporâneo, as marcas são consumidas como símbolos de status e para demarcar relações sociais. A construção de super produção pela mídia na cultura pós-moderna tem gerado uma ideia do ter e não ser, arquitetando uma sociedade baseada em estereótipos criados pelo consumo de produtos.

De fato, deve-se sinalizar que, o contexto contemporâneo é baseado na lógica capitalista. Isto é, a aceitação de um indivíduo na sociedade está relacionado a possuir ou não objetos específicos. Segundo o sociólogo Weber, existem três dimensões para o processo de interação social: riqueza, prestígio e status. Logo, isto corrobora para a desigualdade.Visto que, quem não se encaixa nos modelos é reiteradamente excluído de um determinado grupo.

Ainda, deve-se frisar que a indústria de massa é uma grande perpetuadora de influência do consumismo na população. Essa questão foi analisada por Adorno e Horkheimer na obra ’’ Indústria Cultural ‘’, segundo eles a mídia oferece produtos que promovem uma satisfação compensatória e efêmera, construindo uma identidade sublime que é cada vez mais almejada pelos jovens, o que acaba gerando um ciclo interminável de consumo e também fr selecionados que não obtêm essas realizações. Logo, pode-se dizer que em um contexto alienado pelo sistema produtivo, identidade só é alcançada por meio do material de sucesso e imagético.

Portanto, faz-se necessário que o Estado em conjunto com o Ministério da Educação elabore campanhas para quebrar o paradigma de modelos entre jovens e que a família como mediadora central deve desde cedo usar o controle sobre o consumismo exacerbado para criar uma futura geração consciente sobre seus gastos.