Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 23/06/2021
De acordo com a célebre frase do poeta, Cazuza, " Eu vejo o futuro repetir o passado, vejo um museu de grandes novidades". Todavia, essa realidade se mostra a cada dia mais próxima do contexto vivenciado no país. Além disso, a ostentação vivida como um valor social, no século XXI, começa a despertar uma necessidade sem precedentes frente ao consumo desenfreado e irresponsável. Contudo, a falta de investimentos nas escolas públicas, no âmbito de disciplinas referentes ao consumo responsável e sustentável, associado à omissão familiar em filtrar as propagandas e os conteúdos visto por seus filhos, são responsáveis pela distorção cultural e pela superficialidade social.
Em um primeiro momento, é necessário ressaltar a frase do famoso sociólogo, Immanuel Kant, " É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade". Ainda por cima, a escassez de investimentos nos colégios públicos, e pior que isso, a inexistência de uma perspectiva de melhora na área da educação, começa a evidenciar o problema social já previsto por Kant. Ademais, a precariedade com que o governo encara a educação no país torna-se cada dia mais preocupante. Bem como, a imprudência na elaboração da grade curricular, deixando de fora temas atuais como: tecnologia, consumismo e consciência ambiental, coloca em “xeque” a existência do país do futuro e a estabilidade perante outras nações.
Outrossim, é necessário ressaltar uma pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano de 2019, na qual obteve que, 84% dos pais, com filhos entre 9 e 18 anos, não têm controle sobre o que seus filhos acessam na rede social. Ainda mais, esse problema começa a tomar contornos desastrosos ao ser analisados que 79% dos filhos entrevistados, segue algum estilo apresentado por um “influenciador digital”. Tal panorama, torna-se preocupante ao observar que, para a geração atual, a socialização baseia-se naquilo que “tem” e não o que pode oferecer culturalmente.
Logo, faz-se necessário que medida sejam tomadas, para que seja feita uma reestruturação da grade curricular das escolas públicas e os pais acompanhem, de maneira participativa, a vida social e escolar dos filhos. Portanto, o Ministério da educação, deve estabelecer uma comissão estudantil, em âmbito federal, para que seja elaborada uma nova grade curricular que atenda as classes sociais mais vulneráveis. Isso tudo deve ser feito, por meio da criação de núcleos de comissões, no cenário estadual e municipal, a fim de identificar a dificuldade de cada ente federativo e que seja colocado em pauta na discussão nacional. Fazendo isso, espera-se atingir a finalidade de um nivelamento curricular, tanto em escolas públicas, quanto nas privadas, para que a desigualdade social e cultura, deixe de ser comum. Porque só assim, será possível avistar um país mais sociável, humanitário e repleto de oportunidades.