Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 27/06/2021
“Uma das características da cultura é tornar normal o que não é”. A afirmação do historiador Leandro Karnal pode simbolizar facilmente a valorização da ostentação na contemporaneidade, uma vez que a naturalização ocasionada pela população brasileira a respeito do consumismo exagerado, é o fato que intensifica esse estilo de vida no corpo social brasileiro. Nesse sentido, a ostentação tem origem inegável na mentalidade capitalista. Desse modo, entre os fatores que contribuem para essa conjuntura, destaca-se a valorização desse estilo nos meios de comunicação e a habitualidade da sociedade em relação ao consumo contemporâneo.
Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que a mídia cristaliza a ostentação nas camadas populares, já que supervaloriza esse estilo em todos os meios em troca de engajamento de público nesses canais. Segundo o escritor Allen Ginsberg, “quem controla a mídia, as imagens, controla a cultura”. A reflexão feita pelo autor pode refletir a ostentação, visto que os veículos de comunicação elevou-se esse estilo para o cenário da moda, servindo de inspiração para os indivíduos de baixa renda adotarem esse estilo. Dessa forma, estimulando o consumismo exarcebado no âmbito social, desse modo, refletindo-se nas notícias trazidas pelo “Jornal o Retrato”, pois relata que cerca de 63 milhões de brasileiros que excederam o seu limite financeiro para comprarem, principalmente, roupas.
Ademais, a naturalidade da sociedade em relação ao consumo exagerado, fortifica os hábitos impulsivos do hábito da compra no imaginário coletivo, justamente porque estimula o consumo de produtos não fundamentais. De acordo com o poema “Eu, etiqueta”, feito pelo escritor Carlos Drummond de Andrade, simboliza claramente o consumismo exacerbado por produtos não essenciais com intuito de se adequar à moda vigente. Assim, urge a ostentação, pois é consequência direta da “necessidade” de estar incluído nos novos padrões estabelecidos.
Fica evidente, portanto, que a concepção capitalista gera a cultura da ostentação nas camadas populares. Logo, para combater esse empecilho, faz-se necessário que o Governo Federal destine mais recursos financeiros para o Ministério da Cidadania, que terá o objetivo de institucionalizar o Plano Nacional do Combate ao Consumismo, com o intuito de realizar palestras elucidativas nos locais públicos com a meta de conscientizar a grande parte da massa popular acerca de estarem consumindo de forma não impulsiva. Além disso, dentro desse mesmo plano, a instituição pública ficara responsável por divulgar nos meios de comunicação programas de educação financeira, com o intuito de atingir mais pessoas acerca do consumo consciente. Dessa forma, revertendo a cultura que vem se consolidando no cenário social, como mencionado por Karnal.