Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 14/07/2021

O filme “Loucas por Amor, Viciadas em Dinheiro”, comédia fictícia dos anos 2000, retrata a vida de três amigas que vêm no assalto à Casa da Moeda a única solução para uma vida luxuosa, porém o plano das mulheres não alcança o sucesso por conta do pensamento ostensivo das mesmas, que chama a atenção dos policiais por compras de valor expressivo. Na realidade a cultura da ostentação também afeta grande percentual da população. Nesse cenário, torna-se pertinente discutir acerca da ostentação e se esse valor é contemporâneo os perdura há séculos na mentalidade da população.

Por um lado, é indubitável que a ostentação se tornou mais frequente nas tomadas de decisões humanas. Nessa perspectiva, uma pesquisa, realizada pelo Jornal Retrato, aponta que 36% dos entrevistados compram produtos mesmo sem poder. Tal resultado mostra que a população é fortemente influenciada por inovações e criações do século XXI, tais como, as redes sociais, onde influenciadores digitais recebem produtos de elevados valores e divulga para seu público, instigando-os a possuir algo que muitas vezes não faz parte do valor indicado para uma pessoa com baixa renda possuir sem recorrer à empréstimos; o funk ostentação também foi um grande marco dominante para a elevação desse pensamento, mostrando sempre como uma pessoa de origem humilde pode fazer uso do seu dinheiro em objetos de valores exorbitantes, que mostrem “status” pessoais elevados quanto à posses.

Por outro lado, ao recordarmos do passado, é notório que desde a instauração do capitalismo, em meados do éculo XV, a população mundial cultua a acumulação de capital e a exposição da vida luxuosa para a sociedade como meio de expressar sua superioridade; na época em questão e nas suas sucessoras a ostentação exibe sempre o mesmo formato, primeiro quem possuía carruagens e cocheiros eram mais bem vistas, em seguida, os possuidores de carros, atualmente os viajantes comerciais ao espaço; outro exemplo de destaque é o do ramo da vestimenta, que iniciou com costureiras particulares produzindo roupas para a realeza, recentemente marcas como Louis Vuitton e Vitória Secrets tornaram-se destaque no que se diz à alta costura e modernidade no ramo da vestimenta.

Entende-se, portanto, que a ostentação é uma cultura que está presente há séculos no cotidiano não só brasileiro, com também mundial. Entretanto, a ostentação ganhou maior impulso com o surgimento das redes sociais, dos parcelamentos, que garantiram com que o comprador não tenha o valor exato em posse no momento, mais que ele possa ser adquirido com o tempo, e pela popularização entre a classe baixa, principalmente, do pensamento disseminado pelo funk ostentação.