Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 30/08/2021

A Constituição Federal de 1988, instrumento que define todas as normas jurídicas do Brasil, prevê, em seu artigo 6°, a garantia a preservação do multiculturalismo e do consumo cinsciente. Todavia, fora dos papéis constituicionais, isso não ocorre, uma vez que a cultura do ostentação acaba por desrespeitar essas duas normas ao pregar um estilo de vida baseado em compras compulsórias e pela elitização de pessoas através de suas posses e vestimentas. Desse modo, cabe debater como ações estatais e propagandas da mídia pode contibuir com a superação desse cenário.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que o Estado possui um papel fundamental na superação dessa mazela. Nesse sentido, segundo Thommas Hobbes o contrato social é um acordo no qual os cidadãos abdicam de algumas de suas liberdades em troca de garantias e sociais e que seus problemas sejam resolvidos por órgãos competentes. Contudo, tal pacto não está sendo respeitado, posto que a ausênica de atitudes em promever ações que estimulem a propagação de outras culturas que não seja da ostentação e da super valorização do ter em detrimento do ser atrapalham na superação deste estilo de vida consumista. Dessarte, é inaceitável que esse quadro se perpetue e, para isso o governo deve sair do seu estado de inércia e assim evitar que esse prática se perpetue.

Outrossim, é importante salientar que a mídia também detém a capacidade de ajudar na superação deste problema. Consoante Theodor Adorno, as empresas de comunicação têm o poder de influenciar na opinião pública e fazer com que determinados comportamentos e pensamentos possam ser mudados ou combatidos. Nesse sentido, o silêncio das instituições midiáticas em relação as propagandas que combatam a hegemonia da indústria que idólatra a riqueza dificulta que os cidadãos se oponham a esse ambiente. Dessa maneira, essa capacidade precisa ser usada de forma correta por ser uma arma poderosa no combate dessa mazela.

Portanto, para que essa problemática seja superada, medidas precisam ser tomadas. Para tanto, o Estado, em parceria com a mídia, deve investir em campanhas físicas e virtuais que abordem problemas relacionados aos gastos excessivos em bens de consumo, como também que estimulem outros costumes que não se fundamentem na ostentação, a fim de se reduzir o número de perturbações que podem ser causadas caso essa condição de vida se mantenha. Isso pode ser feito por meio da destinação de verba pública para a formação de propagandas e para o desenvolvimento de novos estilos de vida que combatam a super valorização do ter em detrimento do ser. Somente assim, as pessoas passarão a deixar de ser escravas de seus objetos e com isso a Constituição Cidadã poderá ser respeitada.