Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 12/08/2021
Segundo o sociólogo Guy Debord, durante a história passou-se por três períodos: “ser”, “ter” e “parecer ter”, este último cabendo à sociedade atual. Observa-se, ainda, que esses conceitos foram atribuídos por ele de acordo com o valor que se prezou em cada tempo, portanto o século XXI é marcado justamente pela preocupação do índividuo frente à avaliação alheia, o que reflete em situações como a ostentação. Entretanto é fundamental que essa supravalorização da imagem seja atenuada, já que seus frutos podem ser perigosos, como o comprometimento do âmbito financeiro e da saúde mental.
A busca pela aprovação pode custar caro e pode resultar em problemas financeiros. Segundo um estudo publicado no jornal “O Retrato”, 30% dos consumidores adquirem produtos excedendo os limites de crédito, ao passo que 36% das pessoas compram sem estar em condições de tal realização. Ora, isso é muito grave, visto que o indíviduo se expõe à contração de dívidas desnecessariamente, dado que o motivo desses gastos advém desse valor de “parecer ter” do século XXI, ou seja, não possui real utilidade, tal como poderia ser evitado. E a situação pode ainda piorar mais, por exemplo, quando se recorre a empréstimos mesmo sem as condições financeiras de pagá-lo, gerando mais problemas.
Outrossim, a preocupação excessiva em estar de acordo com o que a sociedade exige é um gatilho para transtornos psicológicos. Segundo o filósofo Sigmund Freud, há na entidade psíquica humana um fator de julgamento das atitudes basedas em valores tomados pelo próprio indivíduo, o “super-ego”. Esse também é responsável por incitar uma reprovação constante se não cessadas tais exigências feitas pelo próprio ser. Juntando a ideia de Freud com a ideia de Debord, pode-se dizer que no mundo contemporâneo, em que a ostentação é tomada como base das realizações em sociedade, a constante desaprovação do “super-ego” frente às solicitações sociais implica uma sensação repetida de culpa e de busca por aprovação cada vez maior, ou seja, é o estopim para transtornos psicológicos como a ansiedade. E aliando essa situação aos seus resultados indiretos como contração de dívidas, realização de empréstimos e uma condição financeira baixa podem agravar ainda mais essas doenças psíquicas.
Posto isso, é cabível dizer que o consumo excessivo e desnecessário da atualidade, em que a ostentação, julgamentos alheios e status social são colocados acima dos indivíduos deve ser refreado, dado que suas consequências são apenas negativas, impactando a saúde financeira e mental dos cidadãos. Logo, é mister que o Ministério da Cidadania, através de investimentos em campanhas publicitárias, promovam nos horários comerciais anúncios ressaltando a importância do consumo consciente, para que se possa finalmente romper esse legado capitalista na sociedade.