Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 16/08/2021

O ato de ostentar, com a globalização capitalista, ganhou imensa representatividade no contexto mundial, tanto nas camadas mais ricas quanto - e especialmente - nas camadas menos favorecidas. Tal fênomeno se apresenta como uma contradição social, a qual transforma a vida de diversas pessoas em um programa infindável de aquisição de bens materiais. Dessa forma, dado que essa prática se concretiza de forma problemática, é necessário que, para combatê-la, compreenda-se suas causas: a lógica capitalista e a imobilidade ideológica das comunidades civis.

Diante desse cenário, cabe pontuar que o modo pelo qual o capital se manifesta socialmente corrobora a prevalência da ostentação exacerbada. Nesse limiar, pode-se lembrar do sociólogo brasileiro do século XX, Darcy Ribeiro, que - a partir de ensaios antropológicos - afirma que a manutenção de uma vida abundante em bens vistos como artigos de luxo é fundamental na inserção social do sujeito em um ambiente regrado pelo capitalismo. Em consonância com o cenário vigente, o pensamento do autor se materializa em clipes musicais repletos de produtos de luxo, o que demonstra que o modo no qual a sociedade se organiza ideologicamente determina as ações inidividuais. Logo, para que o ato da ostentação exagerada seja atenuado, deve-se pensar em formas de mitigar a influência do modo de produção capitalista na sociedade brasileira.

Além disso, a natureza imóvel do pensamento coletivo tupiniquim garante a prevalência do quadro deletério apontado. Isso é materializado a partir do momento em que existe no senso comum a noção relacional entre ostentação e bem viver. Assim, é entendido que a pessoa que não demonstra constantemente seus bens está em condições ruins de vida, o que não corresponde à realidade. Entretanto, conforme apontado por Jacques Derrida, filósofo pós-estruturalista, todo pensamento errôneo já estabelecido em uma sociedade - como no caso da ilusão em relacionar ostentação a condições favoráveis de viver - pode ser superado, bastando para isso que os agentes sociais sejam ativos na busca da transgressão dessa ideia. Dessa maneira, uma vez que há possibilidade de reversão do panorama, é essencial que a sociedade civil protagonize essa mudança de concepção.

Portanto, para que o cenário exposto seja combatido, o Estado, por meio de aportes financeiros direcionados ao Ministério da Cidadania, promova projetos educacionais, voltados às comunidades carentes e de classe média, que indiquem os problemas que a ostentação desenfreada causa no tecido social, por intermédio de palestras e debates, os quais incitem a participação ativa das pessoas nas discussões. Se assim for feito, espera-se que a ostentação seja diminuída, garantindo assim um melhor ambiente de convivência para os cidadãos brasileiros