Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 19/08/2021
Nas recentes letras de funk - estilo oriundo das favelas do Rio de Janeiro - é comum ser traçado como objetivo de vida a compra exacerbada de bens de consumo e a ostentação destes. Isso é apenas um reflexo dos valores da contemporaneidade, em que o consumo exagerado para a exibição é visto como sinônimo de felicidade, e como um sonho para os mais pobres, o que resulta em uma sociedade cada vez mais alienada.
Nesse contexto, vale citar o “fetichismo da mercadoria”, conceito criado por Karl Marx, que explica o fato de as pessoas tornarem o produto um objeto de adoração que transcende a sua utillidade. Com base nisso, explica-se o consumismo e a necessidade da troca de um artefato, antes mesmo de este estragar ou deixar de funcionar, pois o que é levado em consideração não é a eficiência da mercadoria, e sim o valor - quase que divino - associado a ela. Dessa forma, torna-se óbvio, que com isso, o ser humano tenta se autoafirmar e comprovar o seu valor perante a sociedade com base no que possui, e não no que verdadeiramente é.
Além disso, a alienação está cada vez mais presente na sociedade brasileira, visto que a mídia utiliza as suas plataformas para incentivar e convencer os consumidores a adquirirem determinado produto, mesmo que não este não seja tão útil. No filme “Os delírios de consumo de Becky Bloom”, a personagem principal é uma consumista compulsiva, que descreve a sensação de entrar em uma loja como algo mágico e que lhe desperta desejos de comprar produtos que ela nem sabia que precisava. Ademais, Rebeca revela características presentes na população atual, cada vez mais impulsiva em suas compras, se deixando levar pelo apelo midiático das vitrines e das promoções, mesmo que isso signifique a divisão em várias parcelas, ou até mesmo, que ultrapasse a sua disponibilidade de renda.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação estimular o pensamento crítico na sociedade, desde os primeiros anos da vida escolar, por meio de palestras nas escolas com psicológos que conscientizem as crianças de que os produtos que possuem não revelam quem elas são, a fim de formar cidadãos mais conscientes e menos consumistas. Outrossim, o Poder Legislativo deve criar leis que cobrem da mídia que as propagandas feitas tenham um viés que incentive o consumo, entretanto, de forma responsável. E, somente assim, as letras dos funks não mais refletirão o modo de vida da sociedade, já que esta se tornará mais consciente.