Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 23/08/2021
Nas recentes letras de funk - estilo oriundo das favelas do Rio de Janeiro - é comum ser traçado como objetivo de vida a compra exacerbada de bens de consumo e a ostentação destes. Isso é apenas um reflexo dos valores da contemporaneidade, em que o consumo exagerado para a exibição é visto como sinônimo de poder, e um sonho para os mais pobres, que muitas vezes se endividam na busca de uma felicidade ilusória em uma sociedade cada vez mais alienada.
Nesse contexto, vale citar o “fetichismo da mercadoria”, conceito criado por Karl Marx, que explica o fato de as pessoas tornarem o produto um objeto de adoração que transcende a sua utilidade. Com base nisso, explica-se o consumismo e a necessidade da troca de um artefato, antes mesmo de este estragar ou deixar de funcionar, pois o que é levado em consideração não é a eficiência da mercadoria, e sim o valor - quase que divino - associado à ela. Dessa forma, torna-se óbvio, que com isso, o ser humano tenta se autoafirmar e comprovar o seu valor perante uma sociedade com base no que possui, visto que há um endeusamento do objeto, quem o possui também passa a ser considerado, por muitos, como superior.
Além disso, a alienação está cada vez mais presente no corpo social brasileiro, visto que a mídia utiliza suas plataformas para incentivar e convencer seus consumidores a adquirirem determinado produto, mesmo que este não seja tão útil. No filme, “Os delírios de consumo de Becky Bloom”, um personagem principal é uma consumista compulsiva, que é uma sensação de entrar em uma loja como algo mágico e que desejo de comprar produtos, aos quais ela nem sabia que precisava. Ademais, Rebeca revelações características presentes na população atual, cada vez mais impulsiva em suas compras, se deixando levar pelo apelo midiático das vitrines e das promoções, mesmo que isso signifique a divisão em várias parcelas, ou até mesmo que ultrapasse a sua disponibilidade de renda . Isso decorre do alheiamento vivenciado pelas pessoas.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação estimular o pensamento crítico na sociedade, desde os primeiros anos da vida escolar, por meio de palestras nas escolas com psicólogos que conscientizem as crianças de que os artefatos que não possuem revelam quem elas são, um fim de formar cidadãos menos consumistas. Outrossim, o Poder Legislativo deve criar leis que cobrem da mídia que à medida que as propagandas têm um viés que incentivo o consumo de forma responsável. E, somente assim, como letras dos funks não mais refletirão o modo de vida da população brasileira, já que esta se tornará mais racional.