Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 24/08/2021
No clipe da música “Tô voando alto”, de MC poze, o cantor aparece com diversas jóias, realizando viagens de helicóptero e frequentando festas em iates. Suas composições, assim, evidenciam a chamada cultura ostentação, que baseia-se em se apresentar com diversos bens de luxo. Analisando essa prática, percebe-se que a ostentação é um valor do século XXI, pois, apesar de estar a serviço do velho capital, inova ao superar uma exclusão histórica.
Antes de tudo, é importante ressaltar que, ao compartilhar as práticas consumistas, esse tipo de estilo não traz nada de novo, pois está trabalhando para o capitalismo. De acordo com Theodor Adorno, filósofo e sociólogo alemão, cultura de massa é a cultura que visa criar uma população despolitizada e de compras inconsequentes, a serviço da obtenção de lucro para a classe dominante. Por essa ótica, percebe-se que a ostentação, no momento em que dá grande importância ao ter, incentiva o consumismo e torna-se cultura de massa, beneficiando, principalmente, os grandes empresários. Dessa forma, a cultura de valorização da posse acaba por não inovar, representando concepções e estratégias antigas.
Por outro lado, esse estilo, quando adotado pela periferia, representa um verdadeiro valor do século XXI, no sentido que é algo completamente inédito. No Brasil, a exclusão daqueles com poucos recursos foi a regra na maior parte da história. Durante a república velha, por exemplo, diversos cortiços e favelas, que alojavam as populações carentes, foram destruídos, sem indenização ou compensação para os prejudicados. Assim, a ostentação, ao inserir o povo historicamente violentado em uma dinâmica de consumo de bens cujo acesso sempre foi negado, vira um verdadeiro valor do século atual, pois confronta a exclusão, que era a regra em tempos passados.
Portanto, percebe-se os benefícios e os malefícios desse comportamento de divulgação de posses, característico da era vigente. Então, para que apenas os frutos positivos sejam colhidos, é necessário que o governo federal, representado pelo Ministério da Educação, realize palestras em escolas a respeito das formas de manipulação do capital e do consumo consciente. Isso criaria uma população politizada e mais crítica, que praticaria uma cultura de ostentação não alienante e libertadora das classes mais baixas, contribuindo para a criação de uma sociedade mais cidadã.