Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 09/09/2021

A música “7 Rings”, da cantora Ariana Grande, retrata um comportamento consumista, na qual ela ostenta as suas aquisições, reforçando esses atos com o trecho “eu vejo, eu gosto, eu quero, eu compro”. Consoante a isso, é perceptível atitudes como essa sendo apreciadas popularmente, pois a ostentação passou a ser um valor do século XXI, motivada principalmente pela busca por prazeres instantâneos, que pode levar a sociedade ao consumismo exacerbado.

A priori, é importante ressaltar que a busca por prazeres instantâneos justifica o exagero em adquirir bens luxuosos. Aliado a isso, Machado de Assis, em sua fase realista, teceu críticas aos comportamentos egoístas e superfíciais de sua época, que não valorizava o necessário. Em vista disso, é possível associar as ideias do autor com a população atual, que procura na ostentação material uma maneira de satisfação pessoal, fomentando a luxúria e a exposição de suas aquisições e ignorando a superficialidade por traz desse comportamento. Assim, por conta da necessidade de prazeres imediatos, muitas vezes reforçadas por elogios da mídia, a ostentação tende a crescer entre as pessoas, tornando-se algo superestimado.

Ademais, cabe destacar que essa tendência ao luxo gera, como consequência, o consumismo desenfreado de bens materiais. Segundo Platão, o conceito de Eros pode ser definido como o desejo por aquilo que não possui. Nesse sentido, o termo “sociedade do consumo” pode ser utilizado para caracterizar a esfera social que busca incensantemente se satisfazer por meio da posse de objetos de valor. Concomitantemente, é notável a ascendência de gastos, muitas vezes em objetos sem utilidade alguma, o que pode se transformar em dívidas e, consequentemente, dificuldades e crises financeiras em toda uma nação. Portanto, essa forma de luxúria tem gerado problemas, pois tende a elevar o nível de consumo prejudicial.

Dessa forma, medidas são necessárias para assegurar a resolução do problema. Logo, cabe ao Ministério da Economia criar um projeto que auxilie o brasileiro a controlar as suas finanças de forma segura e saudável. Essa ação deve ser realizada por meio da distribuição de cursos gratuitos com informações que resolvam as dificuldades das pessoas em lidar com o dinheiro e as dívidas. Além disso, as grandes mídias devem veícular, por meio das redes sociais, conteúdos educativos sobre a importância de não superestimar objetos, ressaltando os prejuízos do apego exagerado às coisas, a fim de garantir maior segurança e responsabilidade econômica e psicológica à população. Somente assim, o Brasil ultrapassará esse desafio.